Mais de cinco mil doentes foram excluídos da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI) nos últimos dois anos por não cumprirem as regras de admissão e serem casos sociais sem justificação clínica ou simplesmente por precisarem de mais internamento hospitalar.

A informação foi avançada esta segunda-feira à Agência Lusa pela coordenadora da RNCCI, Inês Guerreiro, a propósito do segundo aniversário desta rede que é assinalado durante esta semana com várias iniciativas.

A Rede, criada pelos Ministérios do Trabalho e da Solidariedade Social e da Saúde em 2006, é formada por um conjunto de instituições públicas e privadas que prestam cuidados continuados de saúde e de apoio social.

A RNCCI tem como objectivos a prestação de cuidados de saúde e de apoio social de forma continuada e integrada a pessoas que, independentemente da idade, se encontrem em situação de dependência.

Segundo Inês Guerreiro, dos 20.895 doentes que os centros de saúde e hospitais referenciaram como potenciais utilizadores desta rede, apenas 15.594 foram assistidos.

Os restantes (5.301) foram excluídos porque «a sua referenciação não cumpria as regras».

Tratava-se de doentes que «não precisavam da Rede», disse, adiantando que estes são «casos sociais e não de saúde que deveriam ir para uma instituição, como um lar, e não para os cuidados continuados».

Nestes casos estavam ainda doentes que precisavam de mais internamento hospitalar e outros que simplesmente recusaram uma resposta da RNCCI.

Inês Guerreiro destaca o longo caminho já desenvolvido pela Rede, desde que foi criada, em 2006: «A Rede começou pela reconstrução do que havia e que mais não era do que cuidados sem objectivos nem diferenciação de cuidados».

Actualmente, existem 3.050 camas contratadas para a RNCCI e a sua coordenadora espera que sejam 4.000 até ao final do ano.

Entre os resultados deste trabalho, Inês Guerreiro destaca a autonomia e independência alcançada por muitos dos doentes que passaram por esta resposta.

Em 2008, e segundo um estudo que envolveu uma amostra de 1.625 doentes da Rede, 40 por cento dos doentes deixaram de ser incapazes, crescendo em quatro por cento os dependentes (alguns provenientes do anterior estádio de incapacidade).

A avaliação apurou que o número de doentes autónomos cresceu 202 por cento e os independentes 636 por cento.

Inês Guerreiro frisou que «o verdadeiro objectivo da rede é tornar os doentes totalmente independentes», e que este está a ser atingido por uma significativa percentagem de doentes.
Redação / HB