Nos últimos dois anos, mais de metade das 1710 vagas abertas para colocar médicos de especialidades em hospitais e centros de saúde carenciados ficaram por preencher. A zona sul do país é a que mais dificuldade tem em fixar novos profissionais.

Em 2015 e 2016 abriram centenas de vagas para médicos no sul do país, mas mais de metade ficou por preencher. A esperança destas regiões abaixo do Tejo reside, agora, nos novos incentivos para fixar estes profissionais, já promulgadas pelo Presidente da República e que vão ser publicadas em Diário da República brevemente.

Ao abrigo do novo decreto-lei, por exemplo, os médicos que decidam trabalhar nas regiões carenciadas recebem mais e têm vantagens no que toca ao gozo de férias. Os profissionais vão receber 36 mil euros, em vez dos 21 mil, e vão poder tirar 11 dias consecutivos de férias.

Os dados, divulgados esta quinta-feira pelo Diário de Notícias, são preocupantes. Das 437 vagas abertas para a zona sul, 324 ficaram por preencher. A região mais afetada é o Alentejo, que abriu 230 vagas e não teve candidatos para 180 delas (o correspondente a 74%). Segue-se o Algarve, onde 144 vagas, de um total de 207, ficaram vazias.

As especialidades mais afetadas são anestesiologia, medicina geral e familiar, medicina interna e psiquiatria, no Alentejo, e anestesiologia, ginecologia, medicina interna e ortopedia, no Algarve.

Porém, esta situação não é exclusiva da região sul, também na zona de Lisboa e Vale do Tejo, assim como no centro do país, há falta de médicos para várias especialidades (não foram divulgados dados da zona norte).

Ainda de acordo com o Diário de Notícias, na zona de Lisboa e Vale do Tejo ficaram por preencher 389 vagas de um total de 855, enquanto na zona centro ficaram vazias 177 das 418 vagas disponíveis.

Entre as unidades mais afetadas na zona de Lisboa e Vale do Tejo estão os centros hospitalares do Oeste, Médio Tejo, Setúbal, Barreiro/Montijo e os agrupamentos de centros de saúde do Arco Ribeirinho, Arrábida e Sintra.