A Fundação Champalimaud vai promover um estudo para ter «números exactos» acerca da situação da doença em Portugal, como o tipo de cancro mais representativo em cada região, afirmou este sábado o responsável Centro do Cancro daquela instituição, escreve a Lusa.

O centro pretende realizar estudos e «obter números corretos sobre quantos pacientes têm cancro, quantos foram tratados, quantos reincidiram, o que sabem sobre o desenvolvimento da doença», disse à Lusa Raghu Kalluri.

O cientista da Harvard Medical falava à margem do Simpósio sobre Cancro, que termina este sábado na Fundação Champalimaud, em Lisboa, onde estão cientistas de vários países, especialistas em Oncologia, para debater a actual situação da investigação e dos medicamentos utilizados para a doença.

«Já estou a trabalhar aqui há um ano e é muito difícil obter números acerca do cancro em Portugal», referiu o director do centro.

Por isso, uma das tarefas do centro, «nos primeiros seis meses, é pedir a um especialista para vir cá e, num ano, recolher números exactos e por regiões do país» para saber, por exemplo, que tipo de cancro existe mais em determinada área, explicou.

O simpósio pretende contribuir para a compreensão do modo como estão a ser ministrados e como reagem os doentes aos medicamentos para cortar o fornecimento de sangue aos tumores e impedir o seu desenvolvimento.

Estes medicamentos já são usados «há cinco ou seis anos e há muitas informações acerca do modo como os doentes estão a reagir, quantos foram curados e quantos não», uma análise e troca de experiências que é importante para os especialistas.

Depois das apresentações do primeiro dia do simpósio, na sexta-feira, «parece que é preciso fazer mais avaliação destes medicamentos e em que altura devem ser ministrados», disse Raghu Kalluri.

«Aparentemente, [estes remédios] estão a ser dados numa fase tardia e muitos dos participantes dizem que podem ter de ser ministrados um pouco mais cedo para ter um efeito muito melhor», salientou.

Para os profissionais do centro, «é importante compreender que tentativas de tratamento devemos fazer e não queremos só fazer as tentativas clínicas que já foram feitas em todo o mundo, queremos fazer algumas novas», defendeu ainda o cientista.

O objectivo é estudar como o cancro se espalha e como os medicamentos o podem controlar e o centro terá cientistas, médicos dedicados a esta tarefa, acrescentou.

O simpósio serve também para homenagear o cirurgião e cientista norte-americano Judah Folkman, que «desenvolveu a ideia de que pode cortar-se o fornecimento de sangue como forma de parar o crescimento dos tumores».

O painel de convidados é composto, entre outros, por Hellmut Augustin (Alemanha), Donald McDonald, Gregg Semenza e Zena Werb (EUA), Peter Carmeliet (Bélgica), Lena Claesson-Welsh e Lars Holmgren (Suécia), Elisabetta Dejana (Itália), Kairbaan Hodivala-Dilke (Inglaterra) e Yongzhang Luo (China).

O Centro de Investigação Champalimaud, que integra o Centro do Cancro, foi inaugurado a 5 de Outubro do ano passado e em abril próximo entra em funcionamento a área clínica e a investigação do cancro, sobretudo de metástases.

António Champalimaud deixou parte da sua fortuna para a investigação médica, escolhendo a antiga ministra da Saúde Leonor Beleza para presidir à Fundação com o nome do empresário.