As clínicas e hospitais privados suspenderam o boicote a serviços prestados a doentes da ADSE. Pelo menos, por agora. Aquelas unidades de saúde iam deixar, já a partir de 1 de outubro, de atender os beneficiários do subsistema de saúde do Estado, em cirurgias, sessões de fisioterapia e exames de gastroenterologia, que não pagassem a despesa a pronto. A medida está, para já, suspensa, depois de a ADSE ter adiado até novembro a entrada em vigor das novas regras de pagamento, noticia a TSF.

Nos últimos meses, a ADSE e a Associação Portuguesa de Hospitalização Privada (APHP) têm estado a negociar os termos do novo acordo de pagamento, mas a situação tinha chegado a um impasse. O acordo ainda não foi alcançado e o braço de ferro mantém-se, mas por agora as unidades de saúde privadas não vão deixar de operar os beneficiários do subsistema de saúde dos funcionários públicos.

O semanário Expresso, noticiou este sábado, que os privados iam avançar para um boicote aos doentes da ADSE que não assumissem as despesas a pronto. Mas a situação mudou nas últimas horas, garantiu à TSF o presidente da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada.

A ADSE introduziu uma série de regras para implementar a partir do dia 1 de outubro, nomeadamente a necessidade de termos informações prévias ou autorizações prévias sobre os atos clínicos, os exames de gastro, as colonoscopias, as endoscopias. Ora, as regras tal como foram previstas não são possíveis de concretizar, porque o sistema de ADSE não permite. A ADSE no final de julho tinha dito que o sistema começaria em funcionamento a partir do dia 1 de setembro, mas a verdade é que até ontem não estava em funcionamento”, começou por explicar.

Os hospitais privados não gostaram destas regras e começaram mesmo a avisar os beneficiários da ADSE que teriam de assumir a totalidade das despesas e pagar a pronto, mas entretanto houve um volte-face.

 Ontem [sexta-feira] à tarde, a ADSE reconheceu esta situação, houve aqui um recuo e mandou uma nota aos hospitais privados no sentido de adiar as regras um mês. Portanto, isto significa que o problema não está resolvido, mas esta data de 1 de outubro deixa de estar em cima da mesa, a partir de ontem ao final do dia quando a ADSE emite uma nova instrução aos hospitais privados."

A ação de protesto fica assim suspensa, mas as negociações estão longe de estar fechadas. O boicote agora congelado afetaria cerca de 250 doentes por dia.