A ministra da Saúde, Ana Jorge, apela ao «bom senso» dos enfermeiros, que estão a realizar uma greve de três dias, para continuarem as negociações com o Governo sobre a carreira profissional.

À margem das VII Jornadas de Doenças Infecciosas, a decorrer em Lisboa, Ana Jorge lembra que o país vive «um período difícil» do ponto de vista económico e financeiro.

A greve de três dias dos enfermeiros começou quarta-feira e está a paralisar dezenas de hospitais e algumas maternidades, de acordo com o secretário-geral do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), José Carlos Martins, citado pela Lusa.

«Todos os hospitais tiveram uma adesão de entre 85 e 100 por cento, sendo que metade desse número teve uma adesão total», garante, referindo-se ao turno entre as 00:00 e as 08:00.

José Carlos Martins adianta ainda que estão convocadas cerca de 17 concentrações de enfermeiros em frente a hospitais, «por todo o país e ao longo do dia». O objectivo é «manifestarem o seu descontentamento» face à proposta do Governo de ingresso na carreira com um salário de 995 euros.

«Valor actual dos 1020 euros»

Entretanto, o Ministério da Saúde esclareceu que a proposta de ingresso na carreira que está em discussão com os enfermeiros é no sentido de manter o valor actual dos 1020 euros.

«A última proposta de ingresso na carreira que foi entregue pelo Ministério da Saúde aos enfermeiros foi no sentido de manter o actual valor, 1020 euros, e não descer para 995 euros» como têm afirmado os enfermeiros, disse à Lusa uma fonte oficial do Ministério.

Enfermeiros esperam nova ronda

No outro lado da barricada, os enfermeiros, que cumprem o segundo de três dias de greve, estão dispostos a fazer novas paralisações se não tiverem respostas satisfatórias. No entanto, o sindicato aguarda uma nova ronda negocial com o Governo, para depois decidir.

«O Ministério da Saúde já deu sinais de que irá agendar a seguir à greve reuniões de negociação. Esperamos e desejamos que as negociações decorram e cheguem a bom porto, que se faça um bom acordo», afirmou o presidente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), José Carlos Martins.
Redação / PB