Os hospitais e centros de saúde vão passar a ser financeiramente penalizados ou beneficiados em função dos seus espaços de atendimento.

A medida vai ficar definida no diploma da contratualização dos serviços de saúde para o próximo ano.

Constantino Sakellarides, consultor do ministro da Saúde, revelou esta terça-feira que as unidades de saúde vão ser obrigadas a ter um responsável pela qualificação dos atendimentos, o qual vai atuar em vários aspetos: o físico, o relacional e o da literacia em saúde.

O Serviço Nacional de Saúde, até para sobreviver, tem de receber bem as pessoas”, argumentou Constantino Sakellarides em declarações à Agência LUSA.

“Há atendimentos fisicamente inaceitáveis"

De acordo com Sakellarides, o novo diploma da contratualização dos serviços de saúde vai prever uma penalização para espaços de atendimento desadequados e irá beneficiar os casos de boas práticas.

Tal valoração passa pela criação de um regulamento em que se define quais os casos que podem beneficiar ou penalizar as unidades de saúde pelo seu desempenho nos espaços de atendimento.

As instalações físicas, como por exemplo, o conforto e dignidade das salas de espera são um dos aspetos a avaliar.

Há atendimentos fisicamente inaceitáveis, casos em que as pessoas esperam na rua”, exemplificou Sakellarides.

Outro nível que irá contar é o relacional, ou seja, a forma como o secretariado clínico atende e encaminha os utentes.

Para o consultor do ministro da Saúde, face à pressão a que estão sujeitos os profissionais do secretariado clínico, precisarão de um suporte de apoio e de formação adicional, não formal, para melhor atenderem os utentes.

Por último, contará também para uma avaliação dos espaços de atendimento a promoção da literacia em saúde. Ou seja, a forma como as unidades de saúde aproveitam para transmitir mensagens que dão aos doentes a capacidade de decidir inteligentemente sobre a saúde.

As salas de espera são um excelente vínculo para transmitir informação”, justifica Constantino Sakellarides, que revela estar em estudo a criação de um canal de produção de conteúdos que possam ser emitidos nos ecrãs dos atendimentos das unidades de saúde pública, à semelhança do que já acontece em muitas unidades privadas.

Neste sentido, por exemplo, uma sala de espera em que os instrumentos para transmitir mensagens ou informação (como televisores) estão desligados ou são usados de forma inconveniente pode significar uma penalização no orçamento da unidade de saúde por via do diploma de contratualização.

Redação