A greve dos auxiliares de ação médica, que decorre esta sexta-feira, está a ter uma adesão "acima dos 90% no país, atingindo os 100% nos principais hospitais de Lisboa e Porto", disse à Lusa fonte sindical.

O coordenador para a área da Saúde da Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais, Sebastião Santana, disse à agência Lusa que em Lisboa os hospitais de São José, de Santa Maria e Fernando Fonseca (Amadora/Sintra) têm uma adesão de 100%, bem como o de São João, no Porto.

Ainda em Lisboa, o hospital pediátrico Dona Estefânia registava neste primeiro turno de greve 85% de adesão e em Coimbra os hospitais universitários estavam "acima dos 80%".

Sebastião Santana afirmou que esta "é uma excelente adesão".

Estes trabalhadores estão numa greve de 24 horas para exigir a reposição da carreira de técnico auxiliar de saúde, extinta em 2009, e vão entregar um abaixo-assinado no Ministério da Saúde.

Uma excelente adesão ainda por cima com o ataque que houve aos serviços mínimos nesta greve, que foram conciliados por um tribunal arbitral e são serviços mínimos muito superiores às greves normais da saúde para estes trabalhadores. Está a ser uma grande greve", declarou esta noite à Lusa.

Para apresentação destes dados foi convocada uma conferência de imprensa no Hospital de São José, em Lisboa, a que assistiram a coordenadora da Frente Comum dos Sindicatos da Administração Pública, Ana Avoila, e o secretário-geral da CGTP-In, Arménio Carlos.

"Descontentamento enorme"

Numa conferência de imprensa realizada na quarta-feira, Sebastião Santana explicou que há um “descontentamento enorme” entre estes trabalhadores, desde que viram a carreira extinta há 10 anos, durante o governo do primeiro-ministro José Sócrates.

O coordenador nacional do setor da saúde da federação sindical disse que se trata de uma greve exclusiva dos cerca de 30 mil assistentes operacionais com funções de auxiliar de ação médica, porque o atual Governo, bem como os anteriores, “insiste na não valorização das funções dos auxiliares de ação médica”.

De acordo com o responsável, o atual Governo não está disponível para corrigir esta situação, lembrando que numa reunião, em 28 de dezembro, com a ministra da Saúde, Marta Temido, foi “dito claramente que não havia vontade do executivo de este ano proceder à criação da carreira de técnico auxiliar de saúde”.

Paralelamente com a greve, os trabalhadores vão deixar um abaixo-assinado com “milhares de assinaturas recolhidas em todo o país” a exigir a criação desta carreira, sendo essa a “reivindicação única”.

Sebastião Santana apontou que dez anos depois da extinção da carreira, era expectável a valorização dos conteúdos funcionais, formação contínua e valorização salarial.

O sindicalista aproveitou ainda para denunciar algo de “absolutamente inaceitável”, que aconteceu na sequência do pré-aviso de greve e que teve a ver com o facto de a conciliação dos serviços mínimos ter sido feita por iniciativa da Direção-geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT).

Quando se convoca uma greve, quem convoca define os serviços mínimos adequados e caso alguma entidade empregadora não esteja de acordo, recorre à DGERT para chegar a acordo. Desta vez, por indicação da DGERT, ou do próprio ministério [da Saúde], foram convocados todos os centros hospitalares para um processo de conciliação quando muitos não tinham identificado problemas no aviso prévio”, acrescentou.