A Comissão Técnica de Apoio ao Processo de Requalificação das Urgências (CTAPRU) pediu esta terça-feira à ministra da Saúde a sua extinção, por considerar que cumpriu os seus objectivos, apontando «problemas» na forma como esta reforma foi implementada.

«Houve problemas de comunicação na forma como a reforma foi explicada ao público e problemas na forma como foi implementada. Poderia ter havido algum cuidado ao nível da abertura de serviços de urgência antes do encerramento de outros. Isso era responsabilidade política e acabámos por sofrer com isso», afirmou Luís Campos, membro da CTAPRU, em declarações à agência Lusa.

Esta comissão técnica desenvolveu quase todo o seu trabalho enquanto Correia de Campos era ministro da Saúde. A sua sucessora, Ana Jorge, tomou posse a 30 de Janeiro e poucos dias depois renovou a intenção de continuar as reformas, reiterando que pretendia dar «uma resposta mais próxima e mais humana».

«Balanço positivo» do trabalho desenvolvido

Num comunicado enviado à Lusa, a comissão técnica considera que «cumpriu com lealdade os objectivos propostos» pelo que submeteu hoje à ministra Ana Jorge o seu pedido de reconhecimento de dever cumprido, dando como concluído o seu trabalho.

Luís Campos acrescentou que os onze membros da comissão técnica fazem um «balanço positivo» do trabalho desenvolvido nos últimos dois anos, mas, no entanto, reconhecem que «nem sempre foi fácil».

«Estamos de consciência tranquila e com a noção de dever cumprido. Somos onze médicos de várias regiões, especialidades e sensibilidades políticas. Todas as opções técnicas foram tomadas em consciência e unanimidade», sublinhou.

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Por outro lado, acrescentou, acredita que o trabalho da comissão vai ter um «impacto forte» na diminuição da morbilidade e mortalidade dos doentes com problemas urgentes, bem como na própria reestruturação da rede hospitalar.

Criada a 30 de Junho de 2006, a Comissão Técnica de Apoio ao Processo de Requalificação das Urgências assumiu como objectivos prioritários a elaboração de uma proposta de pontos de rede de urgência, a definição de recomendações para a organização dos cuidados urgentes e emergentes e a apresentação de uma proposta de rede nacional de referenciação de urgência emergência médica.

Contactada pela Lusa, fonte oficial do Ministério da Saúde confirmou o pedido e disse que a extinção da Comissão Técnica estava prevista para o momento «em que trabalho estivesse concluído».

HB
Redação