O serviço de urgências do hospital de Abrantes «entrou em ruptura», com «congestionamentos e aumentos muito significativos nos tempos de espera» dos utentes desde o início do ano. Edgar Pereira, director clínico do Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT) disse à Lusa que a situação é «preocupante» e que «as rupturas são resultado» do fecho do serviço de atendimento prolongado por parte da direcção do Agrupamento de Centros de Saúde do Zêzere (ACES) no início do ano.

Aquele serviço funcionava com dois médicos no interior da unidade hospitalar e atendendo cerca de 150 utentes todos os dias, entre as 08:00 e as 20:00, «em situação mista».

«No início do ano, fomos confrontados com esta decisão do ACES e com a consequente cessação da prestação de serviços por parte dos profissionais de saúde», afirmou o responsável. Edgar Pereira acrescentou que os cerca de 150 utentes continuam a deslocar-se para as urgências do hospital, «criando congestionamentos e aumentos muito significativos nos tempos de espera».

«Do total de utentes que o serviço do centro de saúde atendia, cerca de uma centena necessitava apenas de cuidados primários de saúde. Se encerrassem o serviço mas levassem os utentes para a consulta de recurso, o serviço de urgências cumpriria cabalmente a sua função, atendendo os casos mais agudos», defendeu.

Em declarações à Lusa, Fernando Siborro, director executivo do Agrupamento de Centros de Saúde do Zêzere, disse que «desde Outubro que o CHMT estava informado do encerramento» do serviço.

«Encerrámos o serviço de atendimento prolongado, essencialmente, por motivos de reestruturação e para uma optimização de serviços, uma vez que reforçámos significativamente a consulta de recurso com os dez médicos que prestavam ali serviço, à razão de dois por dia, e que vão, assim, poder receber mais utentes da própria lista de espera», esclareceu.
Redação / AR