A variante Delta da covid-19, que neste momento mais preocupa os especialistas em Portugal, é "mais transmissível do que qualquer outra variante até agora reportada", explica  à TVI24 João Paulo Gomes, investigador do Instituto Ricardo Jorge, sublinhando que se calcula que esta variante "seja 60% mais transmissível do que a variante alfa". 

Por isso, a Delta estará associada também a uma maior taxa de hospitalização, diz. Os estudos existentes mostram que "esta variante Delta tem duas vezes mais probabilidade de levar uma pessoa ao hospital do que aquela que é designada como variante do Reino Unido. No entanto, não parece estar associada a uma maior fatalidade".

O facto de ser tão transmissível explica como a delta se disseminou tão rapidamente por todo o país, tornando-se predominante.

A prevalência da variante Delta aumentou de forma galopante em Portugal no espaço de um mês. Segundo o Instituto Ricardo Jorge, 56% dos novos casos identificados em junho dizem respeito à variante detetada inicialmente na Índia. As autoridades de saúde estão preocupadas com o avanço da estirpe mais contagiosa e os especialistas acreditam que a imunidade de grupo só deverá ser atingida com mais de 80% da população imunizada.

A variante terá entrado em Portugal por duas regiões: Litoral alentejano (zona de Odemira) e RLVT (concelho de Lisboa) - muitas dessas introduções iniciais estavam associadas a viagens à Índia e ao Nepal, explica o especialista.

Um elevado número de introduções de uma variante muito mais transmissível torna mais difícil monitorizar a cadeia de transmissões", justitfica.

No entanto, a boa notícia é que até agora os estudos apontam que as vacinas são eficazes para esta variante, sobretudo em pessoas duplamente vacinados. De acordo com dados recentes do Reino Unido, tanto com a vacina Pfizer como com a Astrazeneca, o grau de proteção contra a hospitalização do vírus é acima dos 90%.

"Não é possível impedir a transmissão e a infeção, por isso é necessário manter os cuidados, mesmo os vacinados, no entanto a vacina tem uma taxa de proteção contra a hospitalização nos vacinados de 92% e isso são óptimas notícias", diz João Paulo Gomes. "Por isso a palavra de ordem é vacinar rapidamente e o maior número possível de pessoas."

/ MJC