Uma semana após arrancar o novo ano letivo, o Secretário de Estado Adjunto e da Educação, João Costa, disse que o problema da falta de professores pode ser justificado em parte pela campanha eleitoral para as autárquicas.

Estamos em plena campanha eleitoral, em que há muitos professores que não estão com as suas turmas, porque estiveram, nestas duas semanas, em campanha”, afirmou João Costa em entrevista à revista Visão.

 

Na terça-feira, de acordo com a Fenprof, havia um total de 1.855 horários em concurso de contratação de escola e, por isso, o problema não é a campanha eleitoral.

A ausência de professores não é preocupação. O problema não é a ausência, a campanha eleitoral foram 15 dias, segunda-feira já lá estão. O problema são os que estão em falta, não os que estão ausentes”, apontou à TVI24 Mário Nogueira.

O líder da Federação Nacional dos Professores explicou que os horários que estão por preencher não são para os docentes que estão “ausentes” em campanha.

Os horários estão por preencher porque não houve candidatos na chamada reserva de recrutamento. Esses 1.864 horários têm, em média, quase 15 horas. Isso significa que cada um desses professores teria quatro turmas. Se cada turma tivesse 20 alunos (que têm mais), neste momento, há 150 mil alunos sem professores colocados”, reafirmou, explicando que a falta de profissionais em nada tem a ver com o facto de haver professores que possam ter participado nas campanhas eleitorais.

“Na segunda-feira a única coisa que poderá vir a acontecer é existirem mais horários disponíveis porque há professores que podem vencer a autarquia. Mas os horários dessas pessoas que estiveram em campanha ainda não se incluem nestes 1.864”, sublinhou.

Mário Nogueira considerou, por isso, que o secretário de Estado foi “habilidoso nas palavras”, defendendo que João Costa “sabe que há falta de professores, não quer é reconhecer, quer fugir ao problema”.

Recorde-se que ainda nesta quarta-feira a Fenprof anunciou uma greve para o dia 5 de outubro, Dia Mundial do Professor, altura em que os docentes vão sair à rua para exigir melhores condições profissionais.