Mais de 19.200 acidentes rodoviários provocaram 299 mortes e 1.356 feridos graves entre janeiro e setembro, avançou esta sexta-feira a Segurança Rodoviária que assinala uma redução de todos os indicadores em relação ao mesmo período de 2019.

O relatório da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) referente aos primeiros nove meses do ano indica que se registaram 19.214 acidentes com vítimas, dos quais resultaram 299 mortes ocorridas no local do acidente ou durante o transporte até ao hospital, 1.356 feridos graves e 22.406 feridos ligeiros.

Segundo a ANSR, em comparação com o período homólogo de 2019, verificaram-se menos 7.092 acidentes com vítimas (-27,0%), menos 61 vítimas mortais (-16,9%) menos 408 feridos graves (-23,1%) e menos 9.559 feridos ligeiros (-29,9%).

“Entre janeiro e setembro de 2020 verificou-se uma redução em todos os indicadores de sinistralidade, relativamente ao período homólogo de 2019, sendo que o mês de abril foi o que apresentou decréscimos mais significativos em parte devido à situação de estado de emergência que vigorou entre 19 de março e 2 de maio, impondo fortes medidas de confinamento com a consequente redução de tráfego”, lê-se no documento.

A ANSR precisa que o mês de julho, por sua vez, foi o que apresentou o maior número de vítimas mortais e de feridos graves este ano, tendo em relação ao mesmo mês do ano passado o número de mortos aumentado 48,5%.

O relatório, que apresenta os dados de sinistralidade e fiscalização rodoviária em várias dimensões, designadamente dias da semana, período horário, fatores atmosféricos, natureza, localização, tipo de via, distrito, categoria de utente, categoria de veículo, entidade gestora de via e localização, dá também conta que a sexta-feira foi o dia em que se verificou um maior número de acidentes com vítimas e de feridos leves, mas foi à segunda-feira que mais pessoas morreram.

De acordo com a ANSR, a colisão foi a natureza de acidente mais frequente (51,1% dos acidentes com vítimas, 44,2% dos feridos graves e 55,5% dos feridos leves), apesar do maior número de vítimas mortais ter resultado de despistes (47,5%).

Apesar dos mortos e feridos graves resultantes de despistes e de colisões terem diminuído face ao período homólogo, nos atropelamentos registou-se o mesmo número de vítimas mortais.

A maioria dos acidentes e das mortes com vítimas ocorreu, entre janeiro e setembro, em arruamentos, mas em relação ao mesmo período do ano passado, o maior decréscimo de vítimas mortais, em valor absoluto, registou-se nas estradas nacionais (-16), e o de feridos graves, em arruamentos (-239).

No que respeita às entidade gestoras de vias, a ANSR refere que mais de metade (51,5%) das vítimas mortais registaram-se na rede rodoviária sob responsabilidade das Infraestruturas de Portugal (39,5%), Brisa (5,0%), Ascendi (4,0%), e da Câmara Municipal de Lisboa (3,0%).

Segundo o relatório, 67,6% do total de vítimas mortais nos primeiros nove meses do ano eram condutores, 15,7% eram passageiros e 16,7% peões.

A ANSR refere ainda que a maior parte dos desastres deste ano envolvem automóveis ligeiros (74,2%).

Mais de metade das multas registadas este ano são por excesso de velocidade

As multas por excesso de velocidade registadas entre janeiro e setembro aumentaram 25% até setembro face ao mesmo período de 2019, tendo este tipo de infração representado mais de metade do total das infrações deste ano, segundo a Segurança Rodoviária.

O relatório da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) referente aos primeiros nove meses do ano indica que 63,5% do total de infrações registadas entre janeiro e setembro corresponderam a excesso de velocidade, sendo que as outras contraordenações assumiram um peso menos relevante.

Segundo o documento, as infrações por excesso de velocidade aumentaram, até setembro, 24,3% em comparação com o período homólogo de 2019, devendo-se esta subida ao sistema de radares fixos da ANSR, denominado por SINCRO, cujas os autos resultantes deste sistema aumentaram 50%.

No total, foram multados 600.523 condutores por excesso de velocidade até setembro, enquanto em 2019 verificaram-se 483.153 infrações.

Por sua vez, registaram-se este ano diminuições de 56,7% em infrações pela não utilização de sistemas de retenção, 37% nas relacionadas com excesso de álcool no sangue, 29% por falta de inspeção, 27,4% pelo uso de telemóvel e 26,2% devido à ausência de cinto de segurança.

O relatório dá conta que, entre janeiro e setembro, foram fiscalizados mais de 85,5 milhões de veículos, quer presencialmente, quer através de meios de fiscalização automática, o que representa um aumento de 30,9% em comparação com igual período de 2019 devido ao acréscimo de 37% do sistema de radares da ANSR e de 27,6% dos radares da Polícia Municipal de Lisboa.

A ANSR indica que, dos cerca de 85,5 milhões de veículos fiscalizados, resultaram mais de 946 mil infrações, o que representa uma diminuição de 2,5% face aos primeiros nove meses do ano anterior.

No âmbito da criminalidade rodoviária, o número total de detenções efetuadas entre janeiro e setembro de 2020 diminuiu 19,7%, em comparação com 2019, atingindo 15.234 condutores.

Segundo a ANSR, quase metade das detenções deveu-se à condução sob o efeito do álcool (46,9%), muito embora se tenha verificado uma diminuição de 33,4% em relação a 2019. A taxa de condutores detidos baixou de 0,9% em 2019 para 0,8% em 2020.

/ AM