As lutas de cães de raça surgem tanto nas classes sociais baixas como altas. Os combates organizados por criadores são uma realidade já detectada pelas autoridades. No entanto, o meio ultra secreto onde se realizam e o facto de os próprios combates não estarem criminalizados na lei portuguesa, impede qualquer actuação.

Ao que o PortugalDiário apurou, este combates ocorrem em circuitos muito fechados e envolvem essencialmente criadores de cães pitbull. Normalmente, estas lutas são combinadas entre dois criadores, que se conhecem, e que «desejam provar que o seu cão é invencível», explica fonte policial.

Nestes casos, as apostas rondam os 500 euros de cada parte. A verba é entregue ao árbitro e os cães são treinados durante meses. As lutas são semelhantes aos combates de boxe, ou seja, a vitória é determinada pela capacidade de resistência demonstrada.

Ao que foi já apurado pelas autoridades. estes combates de elite têm maior implementação no Norte do país, onde o volume de apostas é maior e há mais assistentes. Pelo contrário, em Lisboa o acesso a estes eventos é mais restrito, sendo que a única forma de entrada é conhecer um dos intervenientes, sendo ainda necessário que todos estejam de acordo.

Crianças assistem a lutas

Fora do circuito de criadores e das lutas espontâneas de rua, existe ainda um outro circuito. São lutas organizadas por proprietários de animais em garagens, armazéns ou recintos abertos. O objectivo destes combates é o lucro das apostas ilegais e o gozo do espectáculo.

Os bairros degradados surgem mais uma vez como palcos e nestes locais, é também frequente a presença de crianças. As autoridades estão preocupadas como fenómeno, não só pelo perigo para a integridade física, mas também pelo ideia de aceitação de violência que acaba por se transmitida.