A Microlime garantiu esta sexta-feira, depois de um alerta da Quercus, que a fábrica de cal já foi inspecionada pelas autoridades competentes e não é a fonte da poluição na Aldeia de Paio Pires, no Seixal, distrito de Setúbal.

Numa resposta enviada à Lusa, o administrador da empresa, Joaquim Brites Fernandes, adiantou que a indústria foi inspecionada em março deste ano pela Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território, pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo, pela Agência Portuguesa do Ambiente, pelo Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação e ainda pela Delegação de Saúde.

As autoridades atrás mencionadas puderam verificar que a nossa fábrica não é causadora da poluição de Paio Pires”, frisou.

A Quercus advertiu hoje que a empresa em causa poderia ser uma das indústrias que tem contribuído para os “sucessivos episódios” de poluição em Paio Pires, exigindo uma inspeção ao Parque Empresarial Siderparque, onde se situa não só a Microlime, como a Siderurgia Nacional e a Ecometais.

Além disso, considerou “estranho” o facto de a licença ambiental da Microline ter terminado em 15 de abril de 2018 e ter sido “prorrogada sem imposição de qualquer limite”.

É imprescindível e urgente uma rápida averiguação do efetivo cumprimento dos parâmetros estipulados nas diversas licenças ambientais emitidas para o parque empresarial em causa. É a saúde das populações vizinhas que está em causa e que exige medidas e respostas urgentes”, defendeu a associação.

Este mês foi apresentado o estudo que a Câmara do Seixal encomendou ao Centro de Ciências e Tecnologias Nucleares do Instituto Superior Técnico, que revelou que o pó depositado nas varandas e nos automóveis em Paio Pires não constitui um problema para a saúde, contudo, ainda não foram analisadas as partículas mais pequenas e potencialmente perigosas.

As queixas da existência de um pó preto sobre as ruas de Paio Pires já remontam a 2014, o que se ampliou no início deste ano, quando os carros e edifícios também começaram a ficar cobertos de uma substância branca, tendo sido ultrapassado durante 13 dias em janeiro o valor-limite de partículas inaláveis, segundo a associação Zero.

Perante esta situação, o grupo cívico Os Contaminados decidiu, no passado mês de março, colocar uma ação em tribunal contra o Estado para “fazer respeitar as normas ambientais”.

Já a associação Terra da Morte Lenta interpôs uma ação contra a Siderurgia Nacional, que foi aceite no Tribunal de Almada e pede a suspensão imediata da atividade até serem resolvidas as questões básicas e administrativas em causa, além de uma indemnização no valor de 500 milhões de euros.