Uma das mulheres acusadas de sequestrar e agredir uma cidadã britânica em 2015, no Algarve, foi, esta terça-feira, condenada pelo Tribunal de Portimão a uma pena de seis anos e meio de prisão efetiva por sequestro agravado.

Segundo o tribunal, ficou provado que Eliana Carvalho, de 24 anos, cometeu um crime de sequestro agravado, por ter sido "acompanhado de ofensas, tortura ou outro tratamento cruel, degradante ou desumano", agindo com "violência excessiva, gratuita, total e fútil".

Os outros dois suspeitos da coautoria dos crimes de sequestro e ofensas à integridade física qualificadas - a mãe da mulher agora condenada, de 40 anos, e um homem, de 22 anos - foram absolvidos por não ter ficado provado em tribunal o seu envolvimento no crime.

De acordo com a juíza que presidiu ao coletivo, Patrícia Ávila, a arguida "atuou com dolo direto" e as suas ações tiveram "consequências relevantes" na vida da vítima, que se viu obrigada a abandonar o país e regressar ao Reino Unido.

Depois de ouvir a sentença, a mulher insultou repetidamente a juíza, tendo sido depois levada para fora da sala pela mãe, que lhe pediu para se calar, argumentando que depois recorreriam da pena de seis anos e seis meses de prisão a que foi condenada.

O tribunal disse ainda que não foi possível às autoridades identificar outras duas pessoas - um homem e uma mulher - que estiveram também alegadamente envolvidas no crime.

No dia 26 de maio de 2015, Leighanne Rumney, cidadã britânica que trabalhava num bar de Albufeira, agora com 22 anos, foi aliciada a entrar numa viatura em Albufeira e levada para um lugar ermo, perto da estação ferroviária de Alcantarilha.

Nesse local, foi agredida por duas mulheres “a murro, pontapé e com golpes de tesoura e cortaram-lhe o cabelo e as roupas”.

A vítima relatou ao tribunal que foi aliciada a entrar no carro sob o pretexto de “falar sobre o João”, um homem que conheceu no bar e que seria o companheiro de Eliana Carvalho, uma das arguidas.

A cidadã britânica disse que foi levada por estradas secundárias para um local com muita vegetação, onde ambas as arguidas a agrediram e rasgaram as roupas, deixando-a a esvair-se em sangue, com golpes por todo o corpo, tendo o homem ficado perto do carro.

Leighanne Rumney disse não se ter apercebido do número de golpes com que foi atingida e contou que, depois de os agressores a terem abandonado, se dirigiu para uma estrada para pedir ajuda.

No local, perto da estação ferroviária de Alcantarilha, a vítima foi auxiliada por várias pessoas, que alertaram as autoridades, sendo depois transportada para o hospital.