O antigo secretário de Estado dos Transportes do Governo PSD/CDS-PP, Sérgio Monteiro, vai ser interrogado como testemunha, a 4 de dezembro, na Operação Marquês, sobre a sua intervenção na concessão do troço de TGV Poceirão/Caia.

No último volume da Operação Marquês, esta segunda-feira consultado pela agência Lusa no Tribunal Central de Instrução Criminal, é dito que Sérgio Monteiro teve intervenção na Garantia Bancária prestada pelo Caixa BI no âmbito do Programa do Procedimento relativo ao concurso para a concessão RAV Poceirão/Caia, ligação ferroviária de alta velocidade entre Lisboa e Madrid, que não chegou a ser construída.

Da análise dos autos é ainda feita uma referência a cláusulas sugeridas pelo consórcio Elos aos bancos financiadores do negócio da concessão.

Enquanto estava no Caixa BI, o governante participou nos instrumentos financeiros do consórcio para a construção do primeiro troço da alta velocidade.

O nome de Sérgio Monteiro foi também referido pelas testemunhas Paulo Campos [ex secretário de Estado dos Transportes do governo de José Sócrates], Carlos Alberto Fernandes e Pedro Manuel Nascimento como estando ligado ao financiamento do consórcio Elos, que incluía como acionistas construtoras portuguesas, nomeadamente o grupo Lena, arguida neste processo.

O juiz Ivo Rosa considera importante nesta fase ouvir Sérgio Monteiro, secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações entre 2011 e 2015, já que este teve conhecimento direto dos factos relacionados com o concurso para a concessão.

Em janeiro de 2015, foi chumbada a audição na comissão de Economia e Obras Públicas de Sérgio Monteiro sobre a transferência do financiamento do consórcio Elos para o TGV, que ganhou o concurso para o troço Poceirão/Caia, para o Estado.

Durante o seu interrogatório na fase de instrução, José Sócrates negou ter tido alguma intervenção ou ter recebido dinheiro pela adjudicação ao consórcio Elos do primeiro troço da rede de alta velocidade (TGV) Poceirão/Caia, contrariando a versão do Ministério Público, que alega que o antigo primeiro-ministro interveio a favor dos interesses do Grupo Lena e dos seus parceiros de negócio na fase dos procedimentos concursais.

Na quarta-feira é a vez do arguido Carlos Santos Silva, empresário e amigo de longa data de Sócrates, ser inquirido pelo juiz Ivo Rosa e pelos procuradores.

O processo Operação Marquês teve início há mais de cinco anos e conta com 28 arguidos que, globalmente, estão acusados de 188 crimes económico-financeiros.