A Polícia Judiciária e a Polícia Federal acreditam que os 578 quilos de cocaína apreendidos no Brasil a bordo de um jato privado, que tinha como destino o aeródromo de Tires, em Cascais, pertenciam à rede do major Carvalho, conhecido como o "Escobar brasileiro".

O narcotraficante pode estar também por detrás da tentativa de compra da empresa de aviação portuguesa OMNI, através de um esquema com recurso a testas de ferro brasileiros. Esse negócio, investigado há largos meses em Portugal pela PJ, conta com João Loureiro como intermediário enquanto advogado.  

Quanto ao "Escobar Brasileiro", Sérgio Roberto de Carvalho, está em fuga mas terá vivido escondido em Lisboa durante cerca de dois anos, onde a PJ lhe apreendeu 12 milhões de euros em notas, em novembro passado.

É considerado um dos mais poderosos traficantes da América do Sul. Terá adquirido a empresa de aviação Airjetsul, que também operava a partir de Tires, precisamente para usar os jatos no transporte de droga. E agora as polícias portuguesa e brasileira acreditam que é também ele o cérebro por detrás da compra da OMNI, para transportar droga e branquear dinheiro proveniente do tráfico. 

João Loureiro, que além de prestar assessoria jurídica ao negócio viajou para o Brasil no avião que acabou por ser apanhado com 578 quilos de cocaína antes do regresso a Tires, está assim no epicentro da investigação dos dois lados do Atlântico.

Henrique Machado