Uma aluna com casaco vestido, capuz a cobrir-lhe a cabeça e manta a proteger o corpo desde o peito até aos pés. Uma notória dificuldade em segurar o lápis, por causa do frio nas mãos. A fotografia foi tirada na última quarta-feira, na Escola Secundária de Serpa, pelo professor Vítor Brasão, que a partilhou nas redes sociais. Veio chamar a atenção para as condições que se vivem por estes dias nas escolas.

A TVI foi ouvir o diretor do agrupamento de escolas de Serpa, Francisco Oliveira, que reconhece que manter o aquecimento dos espaços é difícil e que, por isso, os alunos vão para as aulas de mantas, gorros, cachecóis e luvas.

Esta escola, como continua a aguardar a requalificação e a situação nunca mais se resolve, cerca de 80% das salas de aula têm a porta virada para o exterior. Há uma grande dificuldade de aquecer as salas porque a rede elétrica não suporta. (…) Durante as aulas, as salas mantêm-se fechadas, mas nos intervalos têm de ser arejadas e arrefecem muito facilmente.”

O frio é uma situação recorrente nesta escola, até porque é um edifício com mais de 40 anos, e à espera de obras de requalificação desde 2011.

A situação é recorrente, porque as salas não têm climatização adequada e não têm isolamento térmico. Agora com o arejamento que tem de se fazer das salas é pior”, disse Francisco Oliveira.

A TVI não pôde aceder ao interior da escola, por causa da situação de pandemia, mas teve acesso a novas fotografias desta escola, que mostram mais alunos a usar mantas e o mau estado das salas de aula, com fissuras nas paredes, que dificultam o isolamento.

Associação de estudantes estão a preparar um protesto já a partir de segunda-feira, mas os responsáveis do estabelecimento sentem-se impotentes perante a situação.

Serpa não é caso único

Mas a situação na escola de Serpa não é caso único. Até no Algarve, os alunos vão equipados com gorros, luvas e cachecóis para a escola. Em muitos estabelecimentos escolares do país é comum o recurso às mantas para fazer frente ao frio.

Jorge Ascensão, presidente da Confederação da Associação de Pais, reconhece que este ano está a ser severo no que diz respeito ao clima. “Há escolas em que o Ministério tem de olhar para a necessidade de criar mais conforto. Porque, sem isso não há qualidade na educação”, disse, na antena da TVI24.

Para além de estar mais frio, este ano, há a questão do arejamento das salas. Aí, tem de imperar o bom senso. O arejamento das salas tem de ser feito enquanto os alunos e os professores não estiverem dentro das salas de aula.”

Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, também reconhece que chegam à associação queixas em forma de fotografias semelhantes à de Serpa.

É evidente que a pandemia e as regras da DGS são mais um constrangimento. Mas se hoje não existisse a pandemia estaríamos aqui a falar de um assunto que é recorrente nas escolas do nosso país”, disse o responsável, em declarações à TVI24.

Filinto Lima fala em “equilíbrio de forças” entre a proteção da saúde de alunos e professores, através do arejamento das salas de aulas, e a promoção do conforto térmico.

O que diz a DGS

A Direção-Geral da Saúde (DGS) esclarece, em comunicado, que podem ser utilizados aquecedores e ar condicionado nas salas de aula, desde que seja garantida a limpeza e manutenção dos aparelhos. O ar destes equipamentos de ventilação não deve estar direcionado para os alunos ou professores, mas sim para cima.

Ainda assim, a DGS reforça que, sempre que possível, devem manter-se abertas as janelas e portas, para permitir uma melhor circulação do ar.

Tendo em conta as baixas temperaturas dos últimos dias, quando não existem equipamentos de ventilação mecânica, o arejamento dos espaços deve ser feito durante os intervalos.