O Sindicato da Carreira de Investigação e Fiscalização do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SCIF) afirmou esta segunda-feira que a instituição não tem um problema sistémico, na sequência do caso de Ihor Homenyuk, cidadão ucraniano que foi morto por dois inspetores daquele serviço no aeroporto de Lisboa.

O presidente do sindicato, Acácio Patrício Pereira, rejeitou de forma categórica qualquer fusão com a PSP para a formação de uma "polícia nacional", visão que foi apresentada pelo diretor-nacional da PSP, Magina da Silva, ao Presidente da República.

A minha resposta a essa matéria é cristalina: não, não e não", afirmou o representante do SCIF.

Esta hipótese foi alvo de comentário por parte do ministro da Administração Interna, que afirmou que não era àquela entidade que cabia decidir sobre o futuro do SEF.

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O homicídio do cidadão ucraniano, há nove meses, tem colocado o ministro da Administração Interna sob pressão, com alguns partidos da oposição a pedirem a sua demissão, mas com o primeiro-ministro a garantir que tem “total confiança” no seu ministro.

Recorde-se que Eduardo Cabrita vai ser ouvido terça-feira no Parlamento

A morte de Ihor Homenyuk nas instalações do SEF levou à acusação de três inspetores daquele serviço por homicídio qualificado.

Segundo a acusação, Homenyuk foi isolado na sala dos médicos do mundo dos restantes passageiros estrangeiros, onde permaneceu até ao dia seguinte, tendo sido “atado nas pernas e braços”.

Os inspetores algemaram-lhe as mãos atrás das costas, amarraram-lhe os cotovelos com ligaduras e desferiram-lhe um número indeterminado de socos e pontapés no corpo.

As agressões cometidas pelos inspetores do SEF provocaram a Ihor Homenyuk “diversas lesões traumáticas que foram causa direta” da sua morte.

O caso de Ihor Homenyuk levou à demissão do diretor e do subdiretor de Fronteiras do aeroporto de Lisboa e na quarta-feira da diretora do SEF, Cristina Gatões, e à instauração de 12 processos disciplinares.

António Guimarães / com Lusa