Há mais de 50 anos que a comunidade médica procura por uma região erógena, entre a vagina e a uretra, apontada pelo ginecologista Grafenberg, e baptizada de ponto G, em honra do alemão que o encontrou. Mas em pleno século XXI, os especialistas ainda se debatem em torno desta questão. Mas novos dados permitem pensar já num Viagra para as mulheres.

Em torno destas e doutras perguntas, o jornal Público vai à origem do ponto G: uma «tentativa de explicar por que razão algumas mulheres diziam ter orgasmos particularmente intensos, provocados pela estimulação da parede interna da vagina», por oposição àqueles que têm orgasmos clitorianos.



Agora chega a possibilidade de, através da ecografia, visualizar o ponto G; pela primeira vez, uma equipa de investigadores italianos descobriram sinais anatómicos que confirmam, garantem, a existência desta zona erógena.

Dicas para o encontrar

Mas ainda hoje os especialistas discutem se este ponto G não será apenas uma miragem: quem acredita no ponto descoberto por Grafenberg, em 1950, situa-o atrás do osso púbico, perto da canal da uretra e acessível através da parede anterior da vagina.

Esta zona erógena varia de mulher para mulher, tanto na localização, tamanho e espessura; e há mulheres que simplesmente não o têm, dizem alguns investigadores. O ponto é invisível ao olhar e não muito fácil de detectar através do tacto. Para o «encontrar», a mulher deve estar relaxada e lubrificada: tal fará com o que o ponto G fique inchado e mais saliente.

Segundo escreve esta quinta-feira o Público, os dados preliminares obtidos por uma equipa de investigadores italianos mostram uma abordagem diferente: através da ecografia ginecológica, os especialistas visualizam o ponto G, descobrindo sinais anatómicos.

Os resultados vão ser publicados no «Journal of Sexual Medicine», em Março, e baseiam-se em ecografias a 20 mulheres. Destas apenas 9 dizem ter orgasmos vaginais: exactamente as que apresentavam uma maior espessura do tecido situado entre a uretra e a vagina do que as outras, revela o jornal Público, citando o investigador Jannini da Universidade de L`Aquila. «Pela primeira vez», disse o especialista à revista New Scientist, «torna-se possível determinar de maneira simples, rápida e barata se uma mulher tem ou não um ponto G».

Glândulas que provocam erecção

O tecido do ponto G já tinha sido analisado por estes investigadores e foi detectada a presença de uma proteína, a PDE5, que nos homens está relacionada com a erecção.

Nesse estudo, também liderado por Jannini, em 2002, a equipa referia-se às glândulas de Skene, que segregam esta enzima. Para as mulheres com um ponto G pequeno, seria possível usar fármacos semelhantes ao Viagra, que actuariam sobre as glândulas.

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A equipa de Jannini detectou uma acumulação de PDE5 na vagina de cinco mulheres e 14 cadáveres femininos. Nos corpos, a maior concentração da proteína foi encontrada em volta do ponto G.

«Próstata feminina»

As glândulas de Skene podem ser assim uma espécie de «próstata feminina» e o local onde tem a origem a ejaculação, uma descarga de líquido para a uretra que algumas mulheres relatam ter ao mesmo tempo que o orgasmo vaginal. Os últimos estudos universitários vêm assim provar a ligação entre as glândulas de Skene e o ponto G.

A comunidade científica não é pacífica sobre este tema e muitos especialistas acreditam que todas as mulheres têm um ponto G, mas necessitam de o treinar para fazer aumentar a espessura do tecido.
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