O coordenador nacional para a infecção VIH/Sida, Henrique Barros, mostrou-se, este sábado, «muito feliz» com as declarações do bispo de Viseu sobre o uso do preservativo, por considerar que escolher aquele método é também optar «pela vida».

«Fico sinceramente muito feliz que responsáveis da Igreja apoiem e percebam que, entre a vida e a morte, o preservativo é uma barreira», afirmou o responsável, à margem da Conferência VIH Portugal 2009, que decorria desde sexta-feira no Centro Cultural de Belém.

Na página da diocese de Viseu na Internet, D. Ilídio Leandro defende que «quando a pessoa infectada não prescinde das relações e induz o parceiro (conhecedor ou não da doença) à relação, há obrigação moral» de usar preservativo.

«Aqui, o preservativo não somente é aconselhável como poderá ser eticamente obrigatório», afirma o bispo, alegando, no entanto, que o Papa tem defendido a sua doutrina e que é natural que não afirme que «banaliza o valor, o sentido e a vivência da sexualidade».

O Papa Bento XVI disse na semana passada, numa viagem oficial ao continente africano, que a Sida não se combate só com dinheiro «nem com a distribuição de preservativos que, ao contrário, aumentam o problema».

Dias depois, o bispo das Forças Armadas, D. Januário Torgal Ferreira, defendeu que «proibir o preservativo é consentir na morte de muitas pessoas» e que as pessoas que aconselham o Papa deviam ser «mais cultas».
Redação / TG