O secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM) declarou este sábado que "é essencial que o Orçamento do Estado dê um sinal claro de investimento na saúde" e alertou que há menos médicos do que há um ano.

Os médicos este ano são menos do que o ano passado, os médicos que se vão reformar nos próximos três anos a nível dos médicos de família serão cerca de 1.300, e médicos hospitalares cerca de 1.500", disse Roque da Cunha, considerando que os recursos humanos são "claramente insuficientes".

O secretário-geral do SIM falava aos jornalistas no final de uma audiência com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, para analisar a atual situação pandémica no país provocada pelo novo coronavírus.

Segundo Roque da Cunha, já havia problemas antes de 2019 quanto à falta de médicos no Serviço Nacional de Saúde (SNS), o que agora "a pandemia pôs a nu".

É preciso que este Orçamento de Estado invista verdadeiramente no SNS", insistiu o dirigente do SIM, observando que o apelo do sindicato é para que o Governo encare esta pandemia de "uma forma séria", pois há milhares de doentes (não covid) que precisam de tratamento.

Em seu entender, "é preciso que o primeiro-ministro, o Governo e a Assembleia da República tratem esta pandemia de uma forma séria".

O secretário-geral do SIM alertou também para a necessidade de o SNS acudir aos milhares de doentes que precisam de tratamento, avisando para a falta de pediatras no Hospital de Évora, internistas no Hospital Garcia de Orta e de médicos em Castelo Branco e na Guarda.

Questionado se a atual situação pandémica em Portugal justifica a declaração do estado de emergência, Roque da Cunha replicou que isso "é uma decisão política", mas que, para o sindicato, o que é fundamental é a "possibilidade de tratar os doentes nos centros de saúde", devendo os hospitais estar "disponíveis para fazer as suas cirurgias".

Quanto aos vários surtos em lares, Roque da Cunha disse que é preciso "controlar a situação", observando que as instituições têm que ter a responsabilidade de garantir médicos nesses lares e o governo têm também essa responsabilidade de apoiar as instituições.

De outra forma, pensar que os médicos do SNS vão substituir as férias dos médicos que lá estão é um erro clamoroso", advertiu.

/ AG