Os trabalhadores da Transportes Sul do Tejo (TST) iniciaram esta sexta-feira uma greve de 48 horas pelo aumento de salários, a qual registou uma adesão de 95% e fez com não existissem autocarros de Setúbal para Lisboa, informou fonte sindical.

Em declarações à agência Lusa, João Saúde, da Fectrans – Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações, avançou que a “luta correu muito bem” e que registou “uma paralisação na ordem dos 95%”.

Foram cerca de 400 a 500 trabalhadores que se reuniram esta manhã, entre as 11:00 e as 12:00, num plenário em frente à sede da empresa, no Laranjeiro, em Almada, no distrito de Setúbal, segundo o sindicalista.

Já a administração da TST indicou à Lusa que a greve registou uma adesão de 75% dos trabalhadores, afirmando que foram tomadas medidas para “minimizar o transtorno causado”, estando a ser asseguradas “algumas ligações a outros meios de transporte públicos existentes”.

Ainda assim, o movimento registou uma grande adesão em todos os concelhos em que a empresa opera, na Península de Setúbal, fazendo com que “não tenha havido carreiras de Setúbal para Lisboa, via autoestrada, Ponte Vasco da Gama e Ponte 25 de Abril”, segundo o sindicalista.

Também em março os motoristas da TST tinham realizado uma greve de 24 horas, tendo decidido continuar as paralisações até que a administração aceite discutir o aumento salarial para 750 euros, até porque é a empresa no setor que “pior paga na Área Metropolitana de Lisboa”, de acordo com João Saúde.

Esta semana, a administração da TST indicou que a proposta dos sindicatos representa um impacto de mais de dois milhões de euros acima dos valores já aplicados em 2019 e que, por isso, é “definitivamente incomportável para o plano de negócios” da empresa.

Contudo, na visão do sindicalista, a posição da administração “não passa de uma provocação aos trabalhadores”.

Ao longo dos anos de atividade sindical, nunca houve uma administração que dissesse que estava em condições e que tinha dinheiro suficiente para pagar melhor aos trabalhadores. Ao longo destes anos todos a conversa é sempre a mesma, está tudo mal e não têm dinheiro. Sabemos que a empresa está em condições de pagar um pouco melhor aos trabalhadores”, afirmou.

Por este motivo, os sindicatos vão convocar uma nova paralisação para 19 e 20 de maio, sendo que no dia 20, segunda-feira, os trabalhadores vão realizar uma “grande concentração” em frente à Câmara Municipal de Almada.

Em 23 de janeiro, os trabalhadores reuniram-se com a administração da TST para negociar a revisão do Acordo de Empresa, em que lhes foi proposto o aumento do salário de 651,61 euros para 670 euros, além do acréscimo de 0,91 cêntimos nas diuturnidades e de mais cinco euros no trabalho em dia de folga, passando a receber 42,50 euros, uma proposta que os trabalhadores consideraram insuficiente.

A TST desenvolve a sua atividade na Península de Setúbal, com 190 carreiras e oficinas em quatro concelhos, designadamente Almada, Moita, Sesimbra e Setúbal.