Os lares de idosos têm estado no centro de uma polémica entre a Ordem dos Médicos e o Governo.

Nas últimas horas desta quinta-feira, o Sindicato Independente dos Médicos exigiu que o Executivo e os lares garantam médicos e enfermeiros nestas instituições, retirando essa responsabilidade aos médicos de família que já estão "sobrecarregados".

O secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), Roque da Cunha, propõe que se aumente, durante pelo menos um ano, em um euro por dia, por utente, aquilo que a segurança social comparticipa para as instituições contratarem médicos e enfermeiros.

Por outro lado, sobre a mais recente denúncia da Santa Casa da Misericórdia do Barreiro, Roque da Cunha acusa a provedora da instituição de pedir médicos ao Serviço Nacional de Saúde “para substituir a sua médica que foi de férias”.

O Governo suporta isto. A Segurança Social não se pode esconder”, destaca.

O líder do SIM vai mais longe e considera "perfeitamente inqualificável que o Ministério da Saúde queira que os médicos, que têm várias responsabilidades, que agora sirvam para substituir férias.

Esta é uma estratégia do Governo para enlamear os médicos”, acusa Roque da Cunha.

O vice-presidente da União das Misericórdias de Mora, Manuel Caldas de Almeida, concorda com a proposta do SIM, porque “as pessoas que estão nos lares são frágeis, precisam de apoio médico e têm necessidades complexas”.

Ou o centro de saúde consegue, ou tem de nos dar a capacidade de contratar médicos", propõe Caldas de Almeida.

Para perceber se a pandemia veio mostrar as fragilidades neste tipo de situações, a vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Geriatria e Gerontologia, Maria João Quintela, julga que “esta pandemia mostra uma coisa mais vasta do que ter médicos e enfermeiros disponíveis nos lares.

Maria João Quintela defende que tem que haver um entendimento muito grande entre a Saúde e a Segurança Social, porque “isto é uma questão de ver os mais velhos como pessoas de pleno direito”.

Questionado sobre se tem conhecimento de casos, nos últimos dias, em que os médicos se tenham recusado a deslocar a lares de idosos, quando solicitados, Roque da Cunha volta a referir que os médicos não se recusaram a deslocar ao lar de Reguengos de Monsaraz.

Houve sempre médicos, apesar de não serem obrigados”, concluiu.

Redação / publicado por Rafaela Laja