Os sindicatos médicos exigem resposta do Governo ao seu caderno reivindicativo até 7 de maio, afirmando que se isso não acontecer avançam para a greve.

A decisão dos médicos fazerem greve “está nas mãos da senhora ministra da Saúde [Marta Temido]”, afirmou o secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), Jorge Roque da Cunha, no final do Fórum Médico que juntou hoje em Lisboa a Ordem dos Médicos, sindicatos e associações do setor.

O dirigente sindical disse que os médicos não querem tomar esta decisão de “ânimo leve”, nem querem fazer “greves prolongadas”, nem “greves por greves”, mas “infelizmente o Ministério da Saúde nada mais fez do que empurrar os sindicatos para essa greve”.

Não especificando os moldes em que greve irá ocorrer, Roque da Cunha disse apenas que haverá locais em que essa greve irá obrigar a que os serviços mínimos tenham mais médicos do que os serviços que neste momento são disponibilizados às pessoas.

No seu entender, “acaba por ser ridícula a incapacidade que o Governo tem tido no sentido de criar condições para garantir a qualidade da saúde dos portugueses”.

Da análise que os sindicatos fizeram desde a última reunião que tiveram com o Ministério da Saúde concluíram que o Ministério da Saúde nada fez para evitar o “agravamento das formas de luta”.

, não tem tido resultado, lamentou Roque da Cunha.Infelizmente, esta disponibilidade que temos mantido de diálogo”, por saber que “uma greve prejudica, e muito, as pessoas que já estão há demasiado tempo à espera de consultas e cirurgias”

Esta posição foi sustentada pelo presidente da Federação Nacional dos Médicos (FNAM), João Proença, afirmando que “a carreira médica tem sido desvirtuada porque não são feitos concursos atempados”, as grelhas salariais são “inacreditavelmente baixas para o trabalho penoso” que os médicos têm.

Portanto, queremos e exigimos que até 7 de maio [dia da reunião com a tutela] o Ministério da Saúde e o Governo respondam às reivindicações que foram apresentadas”, disse João Proença, lamentando a “situação desastrosa” a que se assiste na gestão dos recursos humanos de saúde, que tem levado ao fecho de serviços.

João Proença adiantou que a resposta que foi dada pelo Governo foi “insuficiente em relação” ao caderno reivindicativo dos sindicatos que já atravessa quase quatro anos.

O secretário-geral do SIM acrescentou que os sindicatos estão “completamente disponíveis para negociar e para falar, mas infelizmente os sinais são no sentido da necessidade de agravamento das formas de luta”.

As organizações que compõem o Fórum Médico decidiram apoiar os Sindicatos na reivindicação de uma nova tabela salarial adequada ao nível da responsabilidade que os médicos têm na sociedade civil e descongelamento de salários.

Apoiam também a adoção das formas de luta reivindicativa que considerarem necessárias para salvaguardar o SNS, as condições de trabalho e o capital humano.

Exigem também da parte do Ministério da Saúde a publicação de legislação sobre o ato médico.