Cindy Conceição tinha 26 anos quando descobriu que tinha síndrome de ovário poliquístico. "Se calhar já tinha esta síndrome há mais tempo. Sempre fui muito irregular mas nunca pensei que fosse por causa de alguma doença. Depois, comecei a tomar a pílula e nunca mais pensei nisso. Só quando quis engravidar é que comecei a pensar que talvez tivesse um problema", conta.

Estima-se que a síndrome de ovário poliquístico afete cerca de 10% a 15% das mulheres. Trata-se de uma alteração hormonal que se caracteriza por irregularidade no ciclo menstrual, aumento das hormonas masculinas (que se pode revelar, por exemplo, numa maior quantidade de pelos no corpo) e outros descontrolos metabólicos (que podem dar origem, por exemplo, ao excesso de peso e ao aparecimento de acne). Uma das consequências mais comuns desta síndrome é a dificuldade em engravidar. Nos casos mais graves, podem aparecer quistos nos ovários.

Não é uma doença que afete muito a vida no nosso dia a dia, embora crie sempre alguma ansiedade porque nunca sabemos quando é que vamos ovular", conta Cindy Conceição. "Uma vez feito o diagnóstico torna-se tudo mais fácil. Muitas mulheres têm dificuldade em engravidar mas não sabem porquê, isso deve ser mais complicado."

Cindy fez medicação hormonal e, depois de duas tentativas falhadas de inseminação artificial, foi aconselhada a fazer fertilização in vitro. "Agora, tenho duas filhas. Tenho de ser acompanhada regularmente pela minha ginecologista mas estou bem", conclui.

No mês de sensibilização para a síndrome de ovário poliquístico, Catarina Godinho, médica ginecologista e especialista em Medicina da Reprodução do Instituto Valenciano de Infertilidade (IVI), alerta para a necessidade de as mulheres estarem atentas aos sinais: um diagnóstico precoce e o acompanhamento médico especializado são fundamentais para minimizar os efeitos da síndrome, sobretudo para as mulheres que pretendem engravidar.

Apesar de não ter cura, esta é uma condição que pode ser tratada e controlada.

Se não pretender engravidar é recomendado o uso da pílula anticonceptiva para que os ciclos menstruais sejam mais regulares”, esclarece Catarina Godinho.

Para além da dificuldade em engravidar é preciso estar atento a todos os problemas que podem vir associados aos problemas hormonais e ao excesso de peso. A síndrome de ovário poliquístico deve ser encarada com especial atenção em mulheres com obesidade, porque pode causar o aparecimento de hipertensão arterial ou diabetes tipo 2. No segundo caso, pode haver resistência à insulina, pelo que deve haver um controlo do nível de açúcar no sangue com uma dieta específica e, se for o caso, com medicação, até porque um desequilíbrio pode levar ao aparecimento de diabetes numa fase mais avançada.

Catarina Godinho esclarece as principais dúvidas relacionadas com esta condição:

Quais as diferenças entre a síndrome de ovário poliquístico e o ovário poliquístico?

O padrão poliquístico no ovário é algo que é observado na ecografia ginecológica transvaginal enquanto o síndrome pressupõe um conjunto de outros sinais e sintomas além deste padrão poliquístico, como a irregularidade menstrual e ou o excesso de hormonas masculinas.

Quando é que, habitualmente, surge este síndrome?

Este síndrome é está associado ao início da vida adulta, aparece na adolescência.

Existe alguma forma de prevenir ou evitar o aparecimento da síndrome de ovário poliquístico?

Esta síndrome resultada de um desequilíbrio hormonal no ovário. Não há forma de prevenir ou evitar. O tratamento passa pelo controlo dos sinais e sintomas.

Que sintomas indicam a presença da síndrome de ovário poliquístico?

Os sintomas mais frequentes são as irregularidades menstruais, acne, aumento da pilosidade androgénica, excesso de peso, intolerância à glicose. A diversidade de sintomas é muita, há mulheres que não têm qualquer sintoma.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é feito pela história clínica, ecografia ginecológica transvaginal e análises hormonais.

Esta síndrome interfere na capacidade de engravidar?

Nestes casos, é a irregularidade da ovulação que causa a infertilidade.

Existe algum risco durante a gravidez de uma mulher com síndrome de ovário poliquístico?

Não há risco associado da síndrome de ovário poliquístico à gravidez. No entanto se há já intolerância à glicose existe o risco de diabetes gestacional.

Não tendo cura, como pode ser tratada/controlada esta síndrome?

O tratamento passa pelo controlo dos sinais e sintomas. Com a toma de contraceptivo hormonal,

Quais são as maiores complicações associadas à síndrome de ovário poliquístico?

As complicações mais graves são o desenvolvimento anormal do endométrio, por isso é importante ter ciclos regulares. As mais frequentes são o excesso de peso e mais tarde a Diabetes tipo II, caso se encontre intolerância à glicose.