Portugal continental está esta segunda-feira com cerca de 55% das camas de cuidados intensivos destinadas a doentes covid-19 ocupadas, quando há cerca de um mês essa taxa de ocupação rondava os 20%.

Segundo o relatório de situação de hoje da Direção-Geral da Saúde, estão internadas em unidades de cuidados intensivos (UCI) 136 pessoas, mais 84 do que em 02 de junho, quando necessitavam desse tipo de cuidados clínicos um total de 52 doentes.

Estas 136 pessoas que estão em UCI representam 55% do valor crítico de 245 camas ocupadas previsto nas “linhas vermelhas” estabelecidas por diversos especialistas que definiram vários indicadores de acompanhamento da evolução da pandemia em Portugal.

“Adotando uma taxa de ocupação de 85%, o número total de doentes covid-19 críticos (internados em medicina intensiva) em Portugal continental deve permanecer abaixo de 245”, refere o documento, que aponta para uma distribuição regional de 85 camas no Norte, de 56 no Centro, de 84 em Lisboa e Vale do Tejo, de 10 no Alentejo e de 10 no Algarve.

As “linhas vermelhas” salientam ainda que a gestão integrada da capacidade do Serviço Nacional de Saúde pressupõe uma resposta em rede, o que significa, em medicina intensiva, que as necessidades regionais podem ser supridas com a resposta de outras regiões com maior capacidade.

Uma análise aos relatórios semanais da análise de risco da pandemia permite constatar ainda que, desde 03 de abril e durante dez semanas consecutivas, os internamentos em UCI apresentaram uma evolução decrescente, que se inverteu no início de junho, quando começou a registar-se uma “tendência crescente” do número de camas ocupadas.

Em 09 de junho estavam internadas 72 pessoas em UCI com covid-19 (29% do limiar de 245 camas), número que tem sempre aumentado desde então: 88 doentes (36%) em 16 de junho, 106 doentes (43%) em 23 de junho, 113 doentes (46%) em 30 de junho e 136 doentes (55%) hoje.

A região de Lisboa e Vale do Tejo, com 71 doentes internados em UCI no final da semana passada, representava 62% do total dos internamentos em cuidados intensivos do país e 86% do limite regional de camas definido no relatório das “linhas vermelhas”.

Os dados divulgados pela Direção-Geral da Saúde e pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) evidenciam também uma alteração no perfil etário das pessoas que necessitaram de cuidados continuados ao longo dos últimos meses.

Se em abril, o grupo etário com maior número de internamentos em UCI era o dos 70 aos 79 anos, os dados indicam que, em maio, os casos mais graves da doença passaram a ser, maioritariamente, na faixa entre os 60 e 69 anos.

Já em junho, as unidades de cuidados intensivos passaram a receber mais doentes entre os 50 e os 59 anos e, já este mês, o grupo etário com maior número de casos de covid-19 internados em UCI baixou para o das pessoas entre os 40 e os 59 anos.

Entre novembro de 2020 e meados de março deste ano, os internamentos em UCI nos hospitais de Portugal continental estiveram sempre acima do limite definido de 245 camas ocupadas, atingindo o máximo em fevereiro, num dos períodos mais críticos da pandemia, com um pico de cerca de 900 pessoas nestas unidades.

Em Portugal, desde o início da pandemia, em março de 2020, morreram 17.117 pessoas e foram registados 890.571 casos de infeção, de acordo com a Direção-Geral da Saúde. 

A doença respiratória é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019 em Wuhan, uma cidade do centro da China, e atualmente com variantes surgidas em países como o Reino Unido, a Índia ou a África do Sul.

Agência Lusa / RL