O sociólogo das religiões Moisés Espírito Santo acusou esta quinta-feira a Igreja Católica de «abuso» ao intervir em questões da sociedade civil, como o casamento homossexual, refere a Lusa.

«Os projectos do Governo, sejam sobre eutanásia ou casamento entre pessoas do mesmo sexo, são questões puramente da sociedade civil, da ordem pública, em que as igrejas não devem interferir», afirmou o professor catedrático da Universidade Nova de Lisboa.

Moisés Espírito Santo reagia assim à posição da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) que reiterou terça-feira a condenação do casamento homossexual - proposta que faz parte da moção que o secretário-geral do PS, José Sócrates, leva ao congresso do seu partido, entre 27 de Fevereiro e 1 de Março, em Espinho.

O sociólogo defendeu que as igrejas devem regular-se «unicamente» pela lei religiosa, não interferindo em questões da sociedade civil, lembrando o que está escrito na Bíblia: «A Deus o que é de Deus e a César o que é de César».

«Há um abuso das instituições religiosas ao intervir na sociedade civil», sustentou, considerando ainda que «há uma falta de humanismo por parte de instituições religiosas».

Lembrou que a eutanásia ou o casamento entre pessoas do mesmo sexo são projectos que visam o «bem-estar social» e que as regras de humanismo se baseiam em não fazer sofrer as pessoas e torná-las felizes.

«Se as igrejas se reclamam de humanismo cristão deviam apoiar essas instituições civis nessas questões que não prejudicam em nada a sociedade e trazem benefício a quem for visado por elas», sublinhou o sociólogo.

Segundo o especialista, a eutanásia está apoiada em algumas passagens da Bíblia, como «mais vale uma morte do que uma vida de sofrimento».

Já a homossexualidade é proibida num versículo do Livro do Levítico, que está «completamente ultrapassado pela sociedade actual», referiu.

Para o especialista em religiões, há uma «pura prepotência das instituições religiosas ao se imiscuírem nesses assuntos».

«Se a Igreja Católica pretende que o Estado não intervenha com leis nas igrejas, elas devem ser recíprocas», acrescentou.
Redação / CR