Devido à suspensão de várias embarcações da Soflusa, uma situação que já se prolonga há vários dias, os passageiros tentaram, esta sexta-feira, invadir a sala de embarque no terminal do Barreiro.

Os passageiros tentaram invadir o terminal, partindo acessos, como se vê em imagens partilhadas em grupos de utentes nas redes sociais, levando à intervenção da Polícia Marítima.

O incidente levou a empresa a suspender as ligações por questões de segurança. Fonte do terminal do Barreiro afirmou à TVI24 que não saíram barcos durante cerca de duas horas.

De acordo com a coordenadora da Frente Comum dos Sindicatos da Administração Pública, a supressão de carreiras de barcos entre o Barreiro e o Terreiro do Paço e entre Lisboa e o Barreiro tem sido recorrente desde há uns meses e “as pessoas estão a chegar a um limite”.

As pessoas veem-se aflitas, porque chegam tarde aos trabalhos e a tudo aquilo que têm de fazer, as pessoas estão ali numa pilha de nervos. (…) Hoje deu para partir vidros, para as pessoas gritarem, houve uma pessoa que desmaiou, forçaram as portas, veio a Polícia Marítima… Isto é recorrente”, explicou.

Segundo Ana Avoila, hoje, a situação “foi mais grave, porque houve um comunicado da administração a dizer quais as carreiras que eram suprimidas por insuficiências de mestres, mas houve mais carreiras suprimidas além das anunciadas”.

Cada dia que passa piora. A ideia que temos é que a administração da Soflusa se prepara para reduzir carreiras definitivamente e não contratar mais pessoal. É bom que o Governo tome medidas e que adaptem os horários de forma que as pessoas saibam os horários que têm. Isto está a ser um escândalo”, acrescentou.

José Encarnação, da Comissão de Utentes dos Serviços Públicos do Barreiro (CUSPAS), confirmou que esta situação de falta de barcos é recorrente por falta de pessoal para a condução de navios.

As pessoas estão no limite. Há muita gente que está a enfrentar problemas no trabalho, porque, por falta de transporte, não consegue chegar a tempo. E não é um dia, são muitos dias”, salientou.

De acordo com o representante dos utentes, a empresa precisaria de 21 mestres para movimentar os navios, mas atualmente tem 16 e também os mestres e marinheiros estão a chegar a um limite, devido às horas extraordinárias que têm feito nos últimos meses.