Vasco Fernandes, secretário técnico do Sporting, depôs, esta terça-feira de manhã, no Tribunal de Monsanto, na 11ª sessão do julgamento do caso das agressões na Academia de Alcochete, em maio de 2018. O responsável disse ao coletivo de juízes que Ricardo Gonçalves disse que iam pessoas à academia e ligou para a GNR.

Começaram a entrar, liguei  ao Rolin Duarte para ir para o campo 7, porque achávamos que já tinha começado o treino, porque os adeptos estavam a entrar na academia", relatou.  

Vasco Fernandes disse então que foi para a ala profissional e ia fechar a porta da sala das botas, que dá para o balneário, mas esta já estava fechada. "Eram uns 15 ou 20 e tentaram entrar. A porta era de vidro e, quando viram os jogadores foi pior, notava se que estavam com um sentimento de fúria e raiva”, recordou.  

O secretário técnico do Sporting diz que tentou fechar as outras portas do balneário, mas já não conseguiu. Além disso, relatou que Petrovic lhe disse para não fechar a porta: "Não feches. Eles que venham". 

Outro alerta veio de Raul José, treinador adjunto, que lhe disse: “Não feches a porta o homem está lá fora e eles vão matá-lo”. O homem era Jorge Jesus, que ainda estava no campo. 

Um total de 20 a 30 indivíduos entraram no balneário, onde estava Ricardo Gonçalves. 

Começaram a bater, a ameaçar, a injuriar. A dizer que matavam toda a gente. Toda a gente que se ponha à frente, diziam: ‘sai da frente, senão mato-te’ e chamavam nomes. Há uma situação perfeitamente clara para mim. Estava à entrada [do balneário] o Rafael Leão e nesse ninguém bateu. Até fiquei surpreendido, pois cumprimentaram-no e diziam ‘a ti não te vamos fazer mal’”, acrescentou Vasco Fernandes.

 

O Acuña também lhes estavam a bater e era mais do que um agressor. O Rui Patrício, o William e o Battaglia também estavam a ser agredidos. (...) Tudo o que havia ali eles atiraram.”

A testemunha assumiu perante o coletivo de juízes, presidida por Sílvia Pires, ter sentido pânico.

É um momento de terror. Fiquei completamente petrificado. O momento mais violento foi o vivido dentro do balneário. Estavam com as cabeças tapadas e depois não fazia ideia se traziam armas. Temi, pois não sabia onde é que aquilo ia parar”, frisou Vasco Fernandes.

Já no final do ataque, o funcionário do Sporting recorda uma frase dita por um dos elementos e repetida por outros dos invasores e o treinador Jorge Jesus com o nariz ensanguentado.

Ouvi um deles a dizer: ‘está na hora, vamos embora’, e outros a repetir. Como se tivessem aquilo planeado ou algum ‘timing’ a cumprir. E começaram a sair. Saio do edifício, vou em direção à estrada e deparo-me com o Jorge Jesus com a mão cheia de sangue e com o nariz ensanguentado”, relatou Vasco Fernandes.

Estava a falar com o Fernando Mendes e com o Aleluia. Parecia que estava a pedir satisfações”, disse. 

Fiquei com receio porque é um momento de terror que começa quando só vejo e deveria ser o primeiro a reagir e fiquei petrificado."

Sobre a reunião do dia anterior aos incidentes, Vasco Fernandes conta que Bruno de Carvalho disse, no encontro: “independentemente do que vai acontecer amanhã quero saber se vocês estão com a direção ou não". Todos acharam que estaria a falar do despedimento de Jorge Jesus.

Ainda na reunião, Bruno de Carvalho disse: “então estamos la amanhã na academia às 16:00”.

Foi Vasco Fernandes quem avisou os jogadores da mudança da hora de treino. "O treinador ligou me no final da reunião que a equipa técnica teve com Bruno de Carvalho e disse para avisar os jogadores para estarem na academia as 16:00, contou.

O julgamento prossegue à tarde com as inquirições dos futebolistas Ristovski e Bruno Fernades, através de videoconferência, a partir do Tribunal do Montijo.

Vânia Ramos / MM