O ex-presidente do Sporting Bruno de Carvalho e o líder da Juventude Leonina Mustafá entraram perto das 09:30 no Tribunal do Barreiro, onde vão ser interrogados por um juiz no âmbito da investigação ao ataque à Academia, para aplicação de medidas de coação. O interrogatório estava previsto para as 10:00, mas foi adiado para às 11 horas, quando terminou a greve dos funcionários judiciais.

Bruno de Carvalho já começou a ser interrogado pelo juiz Carlos Delca, informou o Tribunal do Barreiro, em comunicado.

O interrogatório judicial ao ex-presidente do Sporting e ao líder da Juventude Leonina foi interrompido para almoço às 12:35 e deverá ser retomado às 14:30, informou, ainda, o Tribunal.

De acordo com um comunicado do juiz de instrução criminal, só depois do período de almoço é que serão “fornecidos aos defensores dos arguidos a consulta dos elementos de prova que constam nos autos” e “os arguidos serão confrontados com os factos que lhes são imputados”.

Apenas após terem sido confrontados com as acusações é que os arguidos deverão declarar ao juiz se pretendem ou não prestar declarações.

Bruno de Carvalho e Mustafá foram detidos no domingo, com base em mandados de detenção emitidos pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa.

O ex-presidente do Sporting, detido nas instalações da GNR de Alcochete, está indiciado por 56 crimes: dois crimes de dano com violência, 20 crimes de sequestro, um crime de terrorismo, 12 crimes de ofensa à integridade física qualificada, um crime de detenção de arma proíbida e 20 crimes de ameaça agravada.

Mustafá também é suspeito de instigar o ataque à Academia.

Em 15 de maio, a equipa de futebol do Sporting foi atacada na academia do clube, em Alcochete, por um grupo de cerca de 40 alegados adeptos encapuzados, que agrediram alguns jogadores, membros da equipa técnica e outros funcionários.

A GNR deteve no próprio dia 23 pessoas e efetuou posteriormente mais detenções, que elevaram para 38 o número de detidos, todos em prisão preventiva, entre os quais está o antigo líder da Juventude Leonina Fernando Mendes.

Do ataque resultou o pedido de rescisão de nove futebolistas, alegando justa causa - alguns dos quais recuaram na decisão -, e levou à constituição de 38 arguidos, suspeitos da prática de diversos crimes, designadamente, terrorismo, ofensa à integridade física qualificada, ameaça agravada, sequestro e dano com violência.

Bruno de Carvalho, que à data dos acontecimentos liderava o clube de Alvalade, foi destituído em 23 de junho e impedido de concorrer às eleições para a presidência do clube, das quais resultou a eleição de Frederico Varandas, atual presidente do Sporting.