Bruno de Carvalho, afirmou, nesta quarta-feira, em tribunal, onde está a ser ouvido no âmbito da fase de instrução do ataque à Academia do Sporting, que os jogadores recusaram receber prémios antes dos jogos com o Marítimo e o Benfica.

"Nunca tinha visto uma coisa assim", disse o ex-presidente do clube, referindo-se às ofertas de "meio milhão de euros aos jogadores" antes de cada uma daquelas jornadas na reta final da época 2017/2018.

Coincidência ou não, o Sporting não consegue cumprir os objetivos", assinalou, ainda, Bruno de Carvalho.

O antigo líder do clube reiterou, também, que foi o então treinador Jorge Jesus quem alterou o treino da manhã para a tarde, período em que decorreu o ataque, devido à presença de Bruno de Carvalho numa reunião que poderia ditar o afastamento imediato do técnico.

Depois de me perguntar dez mil vezes se ia deixar de treinar, eu disse que iriam decorrer algumas reuniões das quais poderia sair alguma coisa, e ele [Jorge Jesus] disse que preferia passar o treino para a tarde", contou.

O arguido também afirmou que, durante o seu mandato enquanto presidente do Sporting, nunca deu dinheiro às claques 'leoninas' e que se limitou a cumprir com o protocolo existente entre o clube e os grupos organizados de adeptos.

Em cinco anos e meio, dei zero às claques. Nunca tiveram apoio financeiro. Nunca me envolvi em benefícios nenhuns, não havia proximidade nenhuma. Havia um protocolo, que o cumpri", sublinhou.

O antigo líder do Sporting explicou que, durante os processos disciplinares instaurados aos futebolistas do clube em abril de 2018, depois de um jogo com o Atlético de Madrid, para a Liga Europa, não violou "lei nenhuma" e que tal não levou a um aumento da animosidade dos adeptos contra os jogadores, mas sim contra a sua pessoa.

Todos os jogadores concordaram em fazer uma reunião depois do jogo com o Paços de Ferreira e que nenhuma das partes iria emitir qualquer comunicado sobre o assunto. Para meu espanto, passada uma hora, os jogadores não cumpriram com o acordado. Não violei lei nenhuma, ao avaliar a situação entendi instaurar processos disciplinares. Não acho que tenha crescido a animosidade dos adeptos contra os jogadores, mas sim contra mim", explicou.

Sobre a reunião que decorreu na sede da Juve Leo, junto ao Estádio de Alvalade, na véspera do ataque, Bruno de Carvalho disse que esteve presente, mas que ninguém falou em atacar a Academia, e que a sua afirmação "façam o que quiserem" era em relação a tarjas.

Não sei se entrei no início ou a meio, mas estive lá pouco tempo, talvez um quarto de hora. Senti que não havia um fio condutor. As pessoas não estavam satisfeitas comigo e podia acontecer alguma coisa à minha pessoa. Fizeram-me perguntas sobre tarjas de incentivo para o estádio e eu disse 'façam o que quiserem'."

Bruno de Carvalho está acusado pelo Ministério Público de ser o autor moral do ataque de 15 de maio de 2018, de que resultaram agressões a jogadores da equipa principal de futebol e elementos da equipa técnica.

O líder leonino à data dos factos responde por 40 crimes de ameaça agravada, de 19 de ofensa à integridade física qualificada, de 38 de sequestro, de um crime de detenção de arma proibida e de crimes que são classificados como terrorismo, não quantificados.