Um dos 38 arguidos no caso das agressões na Academia do Sporting, em Alcochete, saiu esta quinta-feira da cadeia, sabe a TVI. Em prisão preventiva há quase um ano, passou para prisão domiciliária com pulseira eletrónica. Os restantes 37 arguidos vão continuar em prisão preventiva.

O Ministério Público acredita que o arguido Celso Cordeiro é o homem que aparece nas imagens das câmaras de videovigilância a 15 de maio do ano passado. Ficou em prisão preventiva e foi agora o primeiro a sair da cadeia para ficar em prisão domiciliária com pulseira eletrónica.

Tem 30 anos e viu o Tribunal da Relação de Lisboa dar razão ao recurso que contestava a medida de coação aplicada.

O Ministério Público diz também que o nome do arguido aparece nos grupos de Whatsapp que serviu para combinar o ataque à academia.

Em julho, depois de recolher à cadeia, no Montijo, chegou a queixar-se da presença de baratas na cela.

A defesa recorreu da medida de coação para o Tribunal da Relação de Lisboa e o acórdão foi favorável.

Os juízes desembargadores decidiram também esta quinta-feira o recurso de outros três arguidos, que vão continuar em prisão preventiva.

Com a alteração da medida de coação deste arguido, passam a estar em prisão preventiva 37 dos 40 acusados.

A fase de instrução começa já na próxima segunda-feira, com interrogatórios complementares e audição de testemunhas. Celso Cordeiro vai prestar declarações durante a manhã.

O ex-presidente Bruno de Carvalho será ouvido na terça-feira, a partir das 14 horas.

Dia 15 de maio fará um ano desde que o grupo entrou na Academia de Alcochete e agrediu jogadores e equipa técnica.

Os detidos estão acusados de terrorismo, sequestro, ameaça agravada, ofensa à integridade física qualificada, entre outros crimes.

A maioria dos arguidos requereu a abertura de instrução, mas apenas seis pediram para prestar declarações.

A 15 de maio, a equipa de futebol do Sporting foi atacada na academia do clube, em Alcochete, por um grupo de cerca de 40 alegados adeptos encapuzados, que agrediram técnicos, jogadores e staff.

O antigo oficial de ligação aos adeptos (OLA) do clube Bruno Jacinto está entre os arguidos presos preventivamente, sendo acusado de autoria moral do ataque, tal como o ex-presidente do Sporting Bruno de Carvalho e o líder da Juventude Leonina Mustafá.

Aos arguidos, que participaram diretamente no ataque, o Ministério Público imputa-lhes a coautoria de crimes de terrorismo, 40 crimes de ameaça agravada, 38 crimes de sequestro, dois crimes de dano com violência, um crime de detenção de arma proibida agravado e um de introdução em lugar vedado ao público.

No seguimento do ataque, nove jogadores rescindiram unilateralmente os contratos com o Sporting, e quatro deles, Daniel Podence, Gelson Martins, Ruben Ribeiro e Rafael Leão, mantêm-se em litígio com o clube.

William Carvalho e Rui Patrício acordaram os valores para a sua saída, enquanto Bas Dost, Bruno Fernandes e Rodrigo Battaglia voltaram atrás na decisão de abandonar o clube.