Wendel foi o segundo jogador do Sporting a depor, por videoconferência, esta segunda-feira, na décima sessão do julgamento do processo das agressões na Academia de Alcochete. A partir do Tribunal do Montijo, o jogador disse que, naquele dia, entraram 25 a 30 pessoas na academia, com a cara tapada. Pediram aos jogadores para despirem a camisola, porque não eram merecedores de a vestirem. 

Um bateu me no rosto com a mão aberta”, contou. 

Wendel diz que viu Misic, Acuña e William Carvalho serem agredidos por mias de uma pessoa, com bofetadas. Misic foi agredido com um cinto e William levou chapadas na cabeça. 

Foram três pessoas agredidas: Acuña, Misic e William Carvalho. O Acuña não me recordo por quantas pessoas foi agredido, mas foi por mais do que uma, com tapas [estaladas] na cara e na cabeça. O Misic foi agredido com um cinto nas costas, por um deles. O William foi agredido na cabeça com tapas, mas não sei por quantos”, descreveu Wendel.

Fiquei com muito medo”, confessou. 

O jovem futebolista brasileiro referiu que os invasores “ficaram cerca de cinco minutos no balneário” e que “foi tudo muito rápido”, saindo todos ao mesmo tempo. “Estava de cabeça baixa. Vi fumo. Não vi tochas só vi a fumaça, mas quando já estavam a sair", disse.

Quanto à reunião de 14 de maio de 2018, véspera do ataque, entre o plantel e elementos do Conselho de Administração, incluindo o então presidente Bruno de Carvalho, Wendel afirmou igualmente não se recordar da mesma.

Não me recordo, faz muito tempo”, respondeu o médio brasileiro.

Wendel respondeu, aliás, que não se lembrava à maioria das questões que lhe foram colocadas, o que levou a juíza a ironizar, no final do depoimento: “Muito obrigada. Espero que no futuro não tenha problemas de memória”.

Mathieu: "Entraram todos de uma só vez"

Depois do depoimento de Wendel, seguiu-se o de Mathieu, também por videoconferência e com direito a tradução. O jogador francês disse ao coletivo de juízes que estava nos balneários, quando viu o grupo entrar. 

É difícil dizer por causa da confusão. Foi tudo muito rápido, mas eram entre 20 a 30 pessoas.  (...) A porta estava aberta e o Vasco tentou fechá-la, mas já era demasiado tarde e já alguém tinha feito força do lado de fora e conseguiram entrar.” 

 

Entraram todos de uma vez só. Aproximaram-se dos jogadores e agrediram alguns. Foi tudo muito rápido."

Mathieu diz que o primeiro a ser agredido foi Acuña, "com golpes na cara, por duas ou três pessoas". 

Seguiu-se Misic, agredido nas costas e nas pernas com um cinto. Só viu uma pessoa a bater em Acuña. 

“Senti que não fui um alvo específico, mas senti muito medo.”

Sobre a reunião com Bruno de Carvalho, a 14 de maio, Mathieu diz que já tinha visto o antigo presidente do Sporting a falar exaltado com William de Carvalho e Rui Patrício, noutras reuniões. Mas nesta, do dia anterior aos incidentes, Bruno de Carvalho estava calmo e a falar sobre "serem uma família". 

Os futebolistas encontravam-se na academia do clube, em Alcochete, em 15 de maio de 2018, quando a equipa do Sporting foi atacada por elementos do grupo organizado de adeptos da claque Juventude Leonina, que agrediram técnicos, jogadores e outros funcionários do clube.

O processo, que está a ser julgado no Tribunal de Monsanto, em Lisboa, tem 44 arguidos, acusados da coautoria de 40 crimes de ameaça agravada, de 19 crimes de ofensa à integridade física qualificada e de 38 crimes de sequestro, todos estes (97 crimes) classificados como terrorismo.

Bruno de Carvalho, à data presidente do clube, ‘Mustafá’, líder da Juventude Leonina, e Bruno Jacinto, ex-oficial de ligação aos adeptos do Sporting, estão acusados, como autores morais, de 40 crimes de ameaça agravada, de 19 crimes de ofensa à integridade física qualificada e de 38 crimes de sequestro, todos estes (97 crimes) classificados como terrorismo.

Os três arguidos respondem ainda por um crime de detenção de arma proibida agravado e ‘Mustafá’ também por um crime de tráfico de estupefacientes.

Vânia Ramos Inês Pereira / MM - Notícia atualizada às 16:46