A greve nas escolas contra o amianto, a violência, a falta de funcionários e professores vai prolongar-se até 22 de novembro, anunciou o Sindicato de Todos os Professores (STOP), que já entregou os pré-avisos da paralisação.

Depois de um mês de greve nacional contra a presença de amianto nas escolas, o STOP decidiu prosseguir a contestação “até 22 de novembro”, disse à Lusa André Pestana, dirigente do mais jovem sindicato de professores que, entretanto, passou a abranger também todos os funcionários das escolas.

Na quarta-feira de manhã está já agendada uma concentração de funcionários de várias escolas de Sintra em frente aos paços do concelho, sendo espectável que nesse dia muitos alunos não tenham aulas.

André Pestana explicou à Lusa as razões concretas do protesto naquela região: em reunião com responsáveis da Câmara Municipal de Sintra, o STOP foi informado da intenção da autarquia em realizar obras em três escolas durante os fins de semana e “depois abrir as escolas na segunda-feira como se nada se passasse”.

O sindicalista recordou as normas comunitárias que definem que depois de se retirar placas de fibrocimento com amianto é preciso esperar entre um a dois dias para confirmar se as fibras repousam no solo assim como fazer análises à qualidade do ar.

Sem estes cuidados, alertou, arriscam-se a “expor crianças e trabalhadores a um risco completamente desnecessário”.

A presença de amianto nas escolas e a falta de funcionários são os dois motivos dos pré-avisos de greve da próxima semana.

Já entre os dias 11 e 22 de novembro, a estes dois problemas juntam-se a falta de professores e a violência nas escolas, explicou André Pestana, lembrando os recentes casos de agressões e as notícias que dão conta que existirem cerca de 50 mil alunos sem aulas por falta de docentes.

Desde que começou a greve contra o amianto, a 3 de outubro, “fecharam cerca de dez escolas” e realizaram-se várias iniciativas, tais como cordões humanos e marchas, afirmou o dirigente do STOP.

A presença do amianto “representa um problema de saúde pública e ambiental”, salientou, lembrando a promessa feita em setembro de 2016 pelo primeiro-ministro, António Costa, de erradicar esta substância perigosa até 2019 e que continua “claramente por cumprir”.

Sobre quantas escolas ainda têm amianto, André Pestana reconhece que só o Ministério da Educação (ME) tem essas informações, criticando-o por manter “uma espécie de secretismo à volta desses números”.

Também a Lusa questionou, no início da semana, o gabinete do ME mas não obteve qualquer informação até ao momento.

André Pestana diz que existe “uma lista com mais de cem escolas que ainda têm fibrocimento”, mas acredita que este seja apenas “a ponta do icebergue”, uma vez que o amianto também pode estar presente no chão e nos tetos falsos das escolas.