A Federação Portuguesa de Associações de Suinicultores (FPAS) alertou para o prejuízo de cerca de 27 milhões de euros que a não erradicação da doença de Aujeszky poderá provocar ao setor.

"A curto prazo, a não erradicação da doença de Aujeszky significará prejuízos diretos à produção na ordem dos 27 milhões de euros, ou seja, 05% de todo o volume de negócios da suinicultura, e prejuízos indiretos incalculáveis, decorrentes do isolamento do país, colocando a produção suinícola exclusivamente na dependência do mercado interno, fortemente condicionado pela grande distribuição", disse o presidente FPAS, Vítor Menino, à agência Lusa, à margem das jornadas técnicas, que decorrem na Batalha.

Segundo este responsável, a FPAS tem "vindo a trabalhar no sentido de tornar a suinicultura uma atividade cada vez mais profissional e com um contributo económico relevante para os seus agentes e para o país".

Vítor Menino sublinhou que "este desígnio é incompatível com facilitismos na abordagem desta questão".

De acordo com informação da FPAS, Portugal está muito atrasado em relação aos outros países da Europa quanto à erradicação desta doença.

"Já 17 países são completamente livres da doença, dois estão muito avançados na erradicação e Portugal pertence ao grupo de nove países onde a doença de Aujeszky está presente. Isto faz com que Portugal tenha várias restrições para envio de animais vivos para outros países da União Europeia, assim como impede vários licenciamentos de exportação de carne de porco, intra e extra comunitários", salienta.

A doença de Aujeszky afeta "unicamente animais e apresenta sintomas muito semelhantes à raiva, sendo mortal para bovinos, cavalos, cães e gatos que desenvolvem sinais nervosos e morrem rapidamente", informa a FPAS, acrescentando que "tem um grave impacto em suinicultura e causa grave prejuízos económicos".

Uma vez introduzido num grupo de porcas, o vírus "tende a permanecer aí e continua a afetar a capacidade reprodutora". A Federação garante, contudo, que a doença "não tem qualquer impacto nos humanos".

Caso a doença não seja erradicada, a FPAS refere que a "produção fica impedida de exportar animais para o principal mercado de produção, abate e comercialização de carne da Europa - Espanha". Como tal, "o mercado português fica completamente marginalizado, ficando os suinicultores sem qualquer opção nas oscilações negativas do mercado, ficando sem mercado para vender os seus porcos".

"Qualquer plano de erradicação tem de ser nacional, baseado em legislação específica e com coordenação e certificação da Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), não dependendo dos suinicultores a erradicação da Doença de Aujeszky a nível nacional. Desde 1996 que existem fundos comunitários e leis para a erradicação desta doença. No entanto, o Estado Português não aplicou qualquer plano de erradicação eficiente, com perda total de financiamento comunitário específico. A atual direção da FPAS tem vindo a pressionar a DGAV e a secretaria de Estado para que façam deste tema uma prioridade máxima, de forma a atingir rapidamente o Estatuto de País Livre de Aujeszky", refere ainda a FPAS.