Os cinco detidos no âmbito da Operação Lex chegaram na manhã desta quinta-feira ao Supremo Tribunal de Justiça, na Praça do Comércio, em Lisboa, levados por elementos da Polícia Judiciária.

Ao local, como confirmou a reportagem da TVI24, chegou também, cerca das 10:00, o juiz Pires da Graça, de 66 anos, conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça há 11 anos.

Os cinco estiveram no Supremo Tribunal de Justiça na quarta-feira, onde foram identificados, de forma a não se esgotar o prazo legal de 48 horas em que podem estar detidos, sem serem presentes a um juiz.

Ao que a TVI24 apurou, na quarta-feira à noite, os cinco arguidos detidos ao abrigo da Operação Lex, terão sido confrontados pelo procurador responsável pelo processo com apenas uma pergunta.

Os cinco detidos que serão ouvidos esta quinta-feira no Supremo são dois advogados - Jorge Barroso e Santos Martins, o filho deste, Bernardo Santos Martins, Otávio Correia (oficial de justiça) e Rita Figueira (ex-mulher do juiz-desembargador Rui Rangel).

"Bruxo da Guiné-Bissau"

Um dos advogados que está no Supremo Tribunal é Manuel Teixeira, que defende Bernardo Santos Martins, de cujas contas terão sido feitas transferências de dinheiro para o juiz-desembargador Rui Rangel, principal arguido no processo.

Manuel Teixeira confirmou que a informação veiculada na comunicação social sobre a Operação Lex corresponde aquilo que está nos autos, dos quais os advogados só tomaram conhecimento na quarta-feira à noite.

Ontem foi interessante apenas porque permitiu, nós confirmarmos que tudo aquilo que vem a ser dito na comunicação social desde terça-feira de manhã, consta nos autos. Portanto, como não foram os advogados que só tiveram conhecimento desse extenso documento com cerca de 200 páginas ao final do dia, às 8:30 da noite"; afirmou o advogado, deixando pairar quem terá sido responsável pela divulgação de informação.

Irónico, Manuel Teixeira adiantou que "a informação existe e não me parece que seja o Ministério Pùblico ou a Polícia Judiciária a passar essa informação".

Portanto, a única explicação que encontro é que tenha sido talvez o senhor António Nhaga, que é o bruxo da Guiné-Bissau, que esteja a investigar os processos em Portugal e esteja a passar essas informações", concluiu o advogado, invocando o nome de uma figura que alegadamente terá trocado e-mails com o presidente do Benfica, também arguido na Operação Lex, para ajudar o clube a ganhar jogos com artes mágicas.

Arguidos são 12

Além dos cinco detidos, sete outros indivíduos são arguidos na chamada Operação Lex que investiga suspeitas de corrupção, recebimento indevido de vantagem, branqueamento de capitais, tráfico de influências e fraude fiscal.

Entre esses arguidos da Operação Lex estão os juízes desembargadores Rui Rangel e Fátima Galante - que serão ouvidos no Supremo Tribunal de Justiça nos próximos dias 8 e 9 de fevereiro - a mulher do magistrado, Rita Figueira, o presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, o vice-presidente do clube, Fernando Tavares e o advogado João Rodrigues, ex-presidente da Federação Portuguesa de Futebol.