A Polícia Judiciária deteve mais um suspeito do furto das armas de Tancos, esta quarta-feira, depois de na segunda-feira ter detido outros oito. O suspeito era, à data dos factos, em 2017, militar em funções nos paióis do exército. Com esta detenção, sobe assim para nove o número de suspeitos, disse à Lusa fonte policial.

O ex-militar saiu do exército quando acabou o contrato e concorreu à GNR, não tendo ainda iniciado funções naquela força de segurança, e tinha concluído recentemente o curso de formação no Centro de Formação de Portalegre da GNR.

Os restantes oito suspeitos foram então detidos na segunda-feira. Nesse dia, foram realizadas dezenas de buscas na zona Centro e Sul do país, por suspeitas de crimes de associação criminosa, furto, detenção e tráfico armas, no âmbito deste caso Tancos.

Em causa estão factos suscetíveis de integrarem crimes de associação criminosa, furto, detenção e tráfico de armas, terrorismo internacional e tráfico de estupefacientes.

Na madrugada de hoje, quarta-feira, o juiz de instrução criminal aplicou a prisão preventiva a cinco dos oito detidos.

Do furto à polémica

O furto do material militar, entre granadas, explosivos e munições, dos paióis de Tancos foi noticiado em 29 de junho de 2017.

O caso do furto de armas em Tancos ganhou importantes desenvolvimentos em 2018, tendo sido detidos sete militares da Polícia Judiciária Militar (PJM) e da GNR, suspeitos de terem forjado a recuperação do material em conivência com o presumível autor do roubo.

Entre os detidos está o ex-diretor da PJM e um civil (que já foi militar), principal suspeito da prática do furto, encontrando-se ambos em prisão preventiva, num caso que levou à demissão de Azeredo Lopes do cargo de ministro da Defesa e cujas implicações políticas levaram à criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, que ainda não começou com as audições.

Em setembro, após a investigação do Ministério Público à recuperação do material furtado, designada “Operação Húbris”, que levou às detenções, foi anunciada pelo CDS a comissão de inquérito, aprovada apenas com a abstenção do PCP e do PEV.

A comissão de inquérito ao furto de material de militar de Tancos vai reunir-se duas vezes por semana e começa as audições às 63 personalidades em janeiro.