A advogada de Rosa Grilo, e o consultor  forense contratado pela mesma, vão renunciar à defesa da viúva do triatleta Luís Grilo, condenada pelo homicídio do marido, por quebra de confiança.

Em causa, o processo em que Tânia Reis e João de Sousa estão acusados por simulação de crime, posse de arma proibida e favorecimento pessoal, por alegadamente terem plantado provas na casa onde ocorreu o crime, de modo a tentarem ilibar a cliente. Esta sexta-feira consultaram ambos o processo e entendem terem sido enganados por Rosa Grilo.

A Polícia Judiciária (PJ) tem fotografias da inspeção ao local do crime, nomeadamente na casa de banho, onde mais tarde foi encontrada uma segunda cápsula de munição. Nas imagens recolhidas pelos inspetores não há qualquer invólucro de bala, o que mostra que o cenário foi alterado depois da presença das autoridades.

As suspeitas recaem sobre João de Sousa e Tânia Reis, que agora empurram responsabilidade para a cliente Rosa Grilo. Entendem que terá sido ela a manipular o cenário do crime, plantando as cápsulas na banheira depois da inspecção da PJ e antes de ter sido detida, em finais de 2018.

A notícia de que tinha sido encontrado um segundo projétil na casa de Rosa Grilo foi inicialmente avançada pela TVI, que dava conta de um invólucro de bala achado na banheira da habitação.

O Ministério Público acusou Tânia Reis e João de Sousa de simulação de crime, posse de arma proibida e favorecimento pessoal. A acusação acredita, assim, que esse projétil terá sido uma prova plantada pela defesa da arguida.

A descoberta de uma nova bala ia de encontro à tese da defesa de Rosa Grilo, que alegava que o marido tinha sido morto por cidadãos angolanos, na sequência de um negócio de diamantes. Na altura, a defesa afirmou que tinham sido disparados dois tiros pelos suspeitos indicados.

Rosa Grilo foi condenada a pena de prisão máxima em primeira instância, 25 anos de cadeia efetiva, enquanto António Joaquim foi ilibado do crime. A arguida acabou por recorrer para o Supremo Tribunal de Justiça, que esta quinta-feira confirmou a pena máxima para a viúva, aplicando a mesma sentença a António Joaquim.

Entretanto, o amante de Rosa Grilo anunciou que ia recorrer para o Tribunal Constitucional e para o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem. Também a defesa de Rosa Grilo anunciou o recurso para o Constitucional, mas agora abandona a defesa da arguida.

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Rosa Grilo foi condenada em cúmulo jurídico a 24 anos de prisão pelo crime de homicídio, um ano e dez meses por profanação de cadáver e um ano e seis meses por posse de arma proibida.

Quanto a António Joaquim, que foi ilibado do homicídio de Luís Grilo, a juíza admitiu que "ficou instalada a dúvida sobre o seu envolvimento". António Joaquim ficou também libertado de pagar qualquer indemnização ao menor, filho da vítima.

Henrique Machado