Numa altura em que a população mundial já não vive sem tecnologia, as crianças não são exceção. No Dia Mundial da Criança, a TVI24 falou com Tito Morais, fundador do site MiudosSegurosNa.Net, para perceber quais os perigos da presença das crianças online e quais os conselhos que os pais devem seguir para acompanhar os filhos.

Não existe uma idade aconselhável para as crianças entrarem em contacto com este mundo. Tito Morais afirma que o importante é que os pais acompanhem os filhos na utilização das tecnologias e no mundo de aplicações que aqui encontram.

Segundo conclusões do fundador do projecto que ajuda famílias, escolas e comunidades a promover a segurança online de crianças e jovens, as aplicações mais utilizadas pelas crianças, nos dias de hoje, são: Snapchat, Instagram e o Facebook Messenger. Todas elas associadas ou com opção de troca de mensagens. E é nesta funcionalidade que os riscos aumentam.  

Embora o possível contacto com pessoas mal intencionadas seja o maior dos riscos a que as crianças estão expostas, existem mais quatro categorias de risco que merecem a atenção dos adultos, segundo o mesmo especialista: o conteúdo, o comportamento, o comércio e o copyright.

Estes, se não forem controlados, podem converter-se em danos. E é nesse mesmo controlo que se insere a responsabilidade dos pais. “Eles têm que ser pais online e offline”, aconselha Tito Morais

Mais do que proibir, atitude que o especialista não aconselha, os pais têm que começar por reconhecer que a vida online também tem importância e que traz alguns benefícios, além dos malefícios já comprovados em diversos estudos.

Um dos exemplos são os resultados de um estudo sobre a adição à internet, que decorreu entre 2014 e 2015, que revelou que as crianças que utilizam a internet antes dos cinco anos “estão potencialmente em maior risco para desenvolvimento da adição à internet”.

[O uso da internet no seio familiar] tem consequências para o bem e para o mal. As crianças estão mais próximas dos familiares mais distantes mas, ao mesmo tempo, mais distantes dos que estão próximos”, afirmou Tito Morais.

Mas isto não implica que deixe de ser essencial impor limites online. O acompanhamento parental é essencial para que os filhos tenham apenas acesso ao que lhes é apropriado, "pela idade e pelo grau de desenvolvimento em que se encontram". E, para isso, é preciso que os pais conheçam bem os filhos e que tenham abertura suficiente para conversar em casa sobre o assunto.

É preciso que os pais falem com os filhos sobre as aplicações que estes utilizam para que os consigam acompanhar.”

A imposição de um tempo limite para a utilização destes dispositivos é crucial. Numa entrevista à TVI24, o psiquiatra Vitor Cotovio assumiu que o aumento da utilização das tecnologias, por parte das crianças, põe “as competências emocionais em risco”.

Se, como afirma o dito popular, ‘os filhos são o espelho do que veem em casa’, o caso tecnológico não é exceção. "Os pais têm que entender que é impossível mostrar aos filhos que o uso das tecnologias fora das horas normais não é permitido quando, por exemplo, são os próprios a olhar para o telemóvel ou para a televisão à hora do jantar", acrescentou Tito Morais.

É também obrigação dos pais tentarem compreender o mundo online em que os filhos vivem para que, com isto, lhes seja possam garantir a maior segurança possível. 

A segurança é como uma cadeira de quatro pernas em que cada uma delas diz respeito a uma abordagem: regulamentar, parental, educacional e tecnológica.”

É importante, por isso, que os pais entendam que o acompanhamento é mais importante que a proibição e que o controlo da utilização passa pela imposição de limites online, como já é feito offline.