Filho de um dos autores do atentado ao World Trade Center, em 1993, nos Estados Unidos, Zak Ebrahim após uma infância e adolescência a tentar ser "invisível" por causa do passado, tornou-se ativista contra o fanatismo religioso.

El-Sayyid Nosair, mais do que o nome do seu pai preso pelo justiça norte-americana, é algo que o ativista usa hoje, não para expandir raiva e dor, mas sobretudo para ajudar as pessoas a ultrapassar as suas diferenças em prol da paz no mundo.

Convidado para participar sábado na 10.ª TEDxPorto onde vai explicar "como a (re)construção da confiança pode ser o caminho para um futuro melhor", Zak Ebrahim partilhou com a agência Lusa pensamentos e práticas nascidas na dor, mas que com a chegada à idade adulta transformou num novo pensamento e abordagem.

Filho de um engenheiro egípcio e de uma professora norte-americana convertida ao islamismo, Zak considera que "um dos seus grandes privilégios" foi "ter nascido na América", elogiando o "poder criticar o Governo e não ir preso", como faz com frequência nas preleções em que cita a "intervenção dos Estados Unidos, as guerras que disputa, a forma como conduz a sua política externa e a sua influência noutros governos de todo o mundo".

Mas se o país lhe conferiu confiança, o ter "crescido filho de El-Sayyid Nosair e ter de lidar durante anos com ameaças de pessoas que queriam vingar-se" do facto do pai ter morto os "seus filhos" fê-lo temer pelo "assumir publicamente quem era" uma vez que "até aos 19 anos mudou 20 vezes de casa", tendo inclusive "alterado o nome para esconder a filiação".

Contudo, esse passo deu-lhe acesso a um novo mundo, congratulando-se por desde que começou a fazer palestras "99,99% da reação das pessoas ter sido positiva", respondeu quando questionado se alguma vez se tinha sentido ameaçado.

De Donald Trump disse "ser perigoso quando se tem alguém que não sabe nada e que não entende a responsabilidade de estar na posição mais poderosa do mundo", lembrando o apelo na campanha eleitoral quando o candidato à presidência dos EUA afirmou que "as famílias dos terroristas deviam ser mortas".

Assumindo-se, também, crítico de Barack Obama, elogiou-lhe a "inteligência e eloquência" que permitiu "manter o estatuto dos Estados Unidos, mas disse ter este, tal como Trump, "ignorado as atrocidades dos aliados", de uma "forma menos mediática" que a assumida, por exemplo, pelo seu sucessor com a Arábia Saudita, no assassínio de [Jamal] Khashoggi".

São estilos diferentes, mas ambos mantêm a supremacia ideológica dos EUA", criticou Zak Ebrahim para quem "há muita gente descontente com Donald Trump que desconhece o que fez Barack Obama". "Nos Estados Unidos, o facto de haver apenas duas opções é muito perigoso em termos de opinião e ambiente político, mas estou entusiasmado com algumas das mudanças que estão a acontecer no meu país, pois as pessoas estão agora muito mais atentas, muito mais do que no tempo da administração Obama."

A instabilidade que viveu na infância, assumiu, foi o seu período mais difícil, mas assim que chegou a adulto sentiu-se "afortunado por essa vivência, por ter conhecido gente tão diferente em tantos sítios".

Conhecer o seu primeiro amigo judeu e mais tarde ter feito a sua primeira amizade com um homossexual fê-lo não só sentir "orgulhoso", pois "tinha crescido numa ideologia que quer isolar de quem quer ensinar e que fomenta todo o tipo de ideias loucas", mas, sobretudo, "duvidar" do que ouvira o pai dizer-lhe.

Hoje, argumenta que "as pessoas que vivem a sua vida focada nelas próprias não têm uma vida preenchida" e que aprendeu muito sobre si quando começou a escrever.

O quão importante tem sido para mim ter confiança, o quão ser capaz de confiar e relacionar-me com as pessoas me permitiu fazer coisas incríveis, nunca tinha pensado nisso como a principal lição da minha vida, mas, sim, certamente essa é uma das fundamentais", respondeu à Lusa.

Ateu, Zah Ebrahim afirmou que a sua opção não decorreu "do seu pai ou das ações das pessoas em nome da religião", mas sente-se "afortunado "por trabalhar com indivíduos de todo o mundo, de diferentes credos, com um objetivo comum".

Para mim, ser ateu, significa que tenho de encontrar o positivo do que está perante mim. O meu objetivo é a paz mundial, mas isso não quer dizer que a ache possível, pois enquanto seres humanos não somos capazes de criar um sistema tão perfeito que nunca mais haja conflitos, mas o objetivo deve estar sempre lá."

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