O adjunto do presidente da Câmara de Pedrógão Grande, Telmo Alves, disse esta quinta-feira, no Tribunal de Leiria, que desconhece o processo de reconstrução das casas ardidas no incêndio no concelho, em 2017.

Apontado por Valdemar Alves, presidente da Câmara de Pedrógão Grande e seu pai, como testemunha, na fase de instrução do processo de reconstrução de casas, Telmo Alves explicou que após o incêndio foi criado o Gabinete Operacional de Recuperação e Reconstrução (GORR) “para dar resposta às necessidades das pessoas”.

“As forças armadas fizeram o levantamento no terreno das várias situações e o GORR surge para socorrer as populações, nomeadamente no apoio de alimentação, roupa e até psicológico”, adiantou.

O incêndio que deflagrou em 17 de junho de 2017, em Escalos Fundeiros, concelho de Pedrógão Grande, distrito de Leiria, e que alastrou depois a concelhos vizinhos, provocou 66 mortos e 253 feridos, sete deles com gravidade, tendo destruído cerca de 500 casas, 261 das quais eram habitações permanentes, e 50 empresas.

No processo que investigou a reconstrução das casas ardidas, o Ministério Público (MP) de Coimbra deduziu acusação contra 28 arguidos.

A acusação refere-se à prática de 20 crimes de burla, 20 crimes de prevaricação de titular de cargo político, 20 crimes de falsificação de documentos, um crime de falsidade informática e um crime de falsas declarações".

"Foi requerida a perda de vantagens provenientes dos crimes no montante global de 715.987,62 euros", refere ainda o MP.

Telmo Alves garantiu que apesar de ter no nome “reconstrução”, o GORR “nunca teve nada a ver com os processos de reconstrução das casas”.

“O nome tem a ver com reconstrução da vida das pessoas”, justificou, sublinhando que foi o Fundo Revita que tratou de todos os processos, dos quais desconhece o seu desenvolvimento.

Telmo Alves adiantou ainda que Valdemar Alves “nunca deixou de estar na Câmara de Pedrógão Grande” e que “só mais tarde surgiu um despacho a designá-lo para integrar a comissão de gestão do Revita”.

A testemunha disse não conseguir "explicitar as funções de Valdemar Alves" no Revita, revelando ainda que, tendo em conta o fluxo elevado de procura de ajuda, “houve necessidade de criar um gabinete de apoio”.

Ao ser confrontado com 'emails' da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro para si sobre 17 novos processos de reconstrução, Telmo Alves afirmou não se recordar do que se tratava.

A testemunha também desconhece se houve dinheiro do Fundo Revita a ser aplicado no apoio à agricultura.

O debate instrutório ficou marcado para o dia 30 de janeiro, pelas 14:00.

/ RL