Assinala-se esta terça-feira o Dia Mundial da Prematuridade. No último ano, um em cada 13 nascimentos ocorreram antes de tempo, antes das 37 semanas de gestão.

Os dados do Instituto Nacional de Estatística mostram que foram registados 6.913 partos prematuros, em 2019, o que corresponde a 8% de todos os nascimentos ocorridos no país.

O número de nados-vivos prematuros a nível nacional tem-se mantido estável ao longo dos últimos cinco anos. Entre 2015 e 2019, existe um incremento de mais 84 bebés prematuros, mas não se verificou qualquer oscilação percentual com os partos antes das 37 semanas a representarem 8,0% de todos os nascimentos.

Teresa Tomé, coordenadora do serviço de neonatologia do Centro Hospitalar de Lisboa Central, enaltece a importância destes recém-nascidos serem alimentados com leite humano.

Um futuro melhor é ser amamentado precocemente. Quando não existe leite da mãe, ou esse é insuficiente, a possibilidade de oferecer leite humano de banco é uma alternativa que defendemos como desejável”, revela.

No entanto, a médica não esconde que o leite da mãe do recém-nascido é sempre preferível. Teresa Tomé explica que o leite que é doado sofre um tratamento de pasteurização e perde algumas propriedades.

O leite da própria mãe tem vantagens sobre o leite de banco”, esclarece.

A responsável de neonatologia do Centro Hospitalar de Lisboa Central apela a todas as mães com excesso de leite que façam uma doação do excedentário.

Devemos juntar esforços para podermos dar um futuro melhor a estas crianças. É uma doação gratuita como se fosse uma dádiva de sangue, funciona nos mesmos moldes. É uma doação segura. As mães que têm leite em excesso podem contactar o Banco de Leite e doar esse leite excedentário”, garante.

A pandemia de covid-19 também veio alterar o modus operandi das maternidades. Teresa Tomé esclarece que a evidência cientifica está a mostrar que não existe uma transmissão do novo coronavírus através da ingestão de leite materno. Contudo, existe uma alta possibilidade de contaminação durante a extração e a amamentação do recém-nascido. Como tal, a especialista considera que este é um critério de exclusão para mães infetadas.

As evidências a nível internacional, de alguns estudos que têm sido feitos, aquilo que se prova é que parece não existir passagem do vírus no próprio leite, mas há possibilidade de contaminação durante a extração e durante os contactos. Portanto, é um critério de exclusão”, refere.

O leite materno é fulcral para a maioria dos bebés prematuros, sobretudo, na prevenção de infeções. Mães, que não possam amamentar, podem recorrer ao Banco de Leite do Centro Hospitalar de Lisboa Central.

Neste Dia Mundial da Prematuridade é reforçada a importância de doar leite ao único banco de leite humano, em Portugal.

Nuno Mandeiro