As autoridades portuguesas comunicaram à Europol, o serviço europeu de polícia que tem a seu cargo o tratamento e intercâmbio de informação criminal, que 12 suspeitos estrangeiros de ligação a atividades terroristas foram assinalados de passagem pelo território nacional entre janeiro de 2013 e novembro de 2017.

De acordo com o relatório TESAT (Terrorism Situation and Trend Report 2018), os indivíduos referenciados eram oriundos de França, Polónia, Rússia, Marrocos, Reino Unido.

Entre janeiro de 2013 e Novembro de 2017, Portugal afirmou que seu território foi usado como plataforma de trânsito por um total de 12 (não-portugueses) combatentes terroristas estrangeiros [FTF - Foreign Terrorist Fighters] a caminho de áreas de conflito (incluindo nacionais de França, Marrocos, Polónia, Rússia e Reino Unido", refere o relatório.

Em 2017, o relatório dá conta de uma detenção apenas em Portugal relacionada com suspeitas de terrorismo, longe das 411 verificadas em França, das quais 373 se referiram a casos de jiadismo, a chamada "guerra santa" promovida pelo radicalismo islâmico.

Em 2017, 68 vítimas inocentes perderam a vida em consequência de ataques terroristas na União Europeia, razão suficiente para a Europol não reduzir os seus esforços no combate ao terrorismo em todas as suas formas. Embora o número de vítimas tenha diminuído, o número de ataques no solo europeu não diminuiu", salienta o relatório.

A Europol sustenta que, apesar das perdas territoriais do Daesh na Síria e Iraque, a ameaça do extremismo islâmico continua a ser elevada, com base nos registos de 2017.

Estes ataques mataram 68 vítimas e deixaram 844 feridos. Quase todas as baixas (62) foram o resultado de ataques terroristas jiadistas. O número de ataques terroristas jiadistas aumentou de 13 em 2016 para 33 em 2017", refere o relatório.

Blood & Honour em Portugal

O relatório da Europol salienta ainda a existência de uma ala portuguesa do grupo de extrema-direita Blood & Honour, criado na década de 80 no Reino Unido.

A organização portuguesa Blood & Honour enviou delegações para grandes eventos internacionais organizados por grupos de extrema-direita", refere o relatório, que salienta ainda que "outros grupos de extrema-direita tentam apresentar-se de um modo mais amplamente aceite".

A Europol alerta assim que esses grupos apresentam "publicamente visões populistas, de forma a torná-las
socialmente aceitáveis em segmentos da população, o que se reflete na existência e sucessos eleitorais de partidos políticos legalmente constituídos nos estados-membros da União Europeia, que adoptaram elementos das agendas da extrema-direita"
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