Portugal tem vindo a registar nas últimas semanas vários dias com mais de três mil e até quatro mil casos por dia de covid-19, mas os números de óbitos tinham-se mantido sempre abaixo dos dez, até esta quarta-feira.

Acontece que nos dois últimos dias foram confirmadas 13 (quarta-feira) e 16 mortes (quinta-feira), números que não eram tão elevados há mais de quatro meses.

Para o professor do Instituto de Higiene e Medicina Tropical, Tiago Correia, este aumento é "de notar", com o especialista a entender que a Direção-Geral da Saúde deve dar uma explicação caso estas cifras se mantenham.

O país tem de decidir qual é o número razoável de óbitos por covid-19, tal como em outras doenças", afirmou, na TVI24.

Para o especialista este é um tema que abrange vários setores da sociedade, sendo que, a menos que se feche a sociedade, existirão sempre casos, e, como consequência, mortes.

Voltando a frisar a necessidade de serem divulgados dados pela DGS, Tiago Correia refere que é importante caraterizar os óbitos, nomeadamente perceber em que fase da vida estavam e se tinham ou não sido vacinados contra a doença.

Temos de tentar perceber se há brechas na imunidade e se as vacinas produzem eficácia", disse.

Lembra o professor que este aumento de mortes pode estar relacionado ainda com outros fatores, nomeadamente o aumento do calor, que pode tornar algumas pessoas mais vulneráveis a desenvolver uma forma mais grave da doença.

António Guimarães