Os vídeos divulgados nas redes sociais mostram aquilo que o primeiro parágrafo do comunicado da Polícia de Segurança Pública (PSP) confirma. Na noite de domingo, na Rua da Cintura do Porto de Lisboa, junto ao estabelecimento de bebidas “Boteco da Dri”, uma festa juntava várias dezenas de pessoas e impedia "a normal circulação de pessoas e viaturas".

No entanto, esta é a única parte em que o comunicado da autoridade e os relatos das redes sociais concordam. 

Em vídeos divulgados no Facebook, várias pessoas que se encontravam na festa no Cais do Sodré, em Lisboa, acusam os agentes da PSP que ali se deslocaram de agredir uma mulher que acabou detida e uma outra que a tentou socorrer.

"Eu ontem fui agredida pela polícia portuguesa. Estavam agredido uma mulher, na frente de um público grande e carnavalesco. Hoje eu acordei com a dor e certeza que esse país vai ser engolido pelo fascismo. Não vai ter resistência. Vão assistir a violência de camarote, com medo. A essa menina que eu não sei quem é, as minhas desculpas. Eu não consegui. O estado é covarde. As pessoas são covardes", escreve Tai Barroso na legenda do vídeo em que mostra os agentes a tentarem afastar as pessoas.

Num outro vídeo, Marcos Pinheiro acusa a polícia de "agressão, violência e abuso de autoridade".

"Ontem em um dia FELIZ de Carnaval a Polícia bate em uma mulher a frente do bar da Dri", lê-se na legenda

Em comunicado, a PSP diz que à chegada ao local, os agentes "depararam-se com um grupo numeroso de pessoas que ocupava a totalidade da rua e impedia a circulação de viaturas, abanando e trepando para cima daquelas que, ainda assim, tentavam passar".

"A situação descrita, para além de provocar danos nas viaturas que passavam, era claramente perigosa para a integridade física de todos os cidadãos presentes. Reunidas as condições para efectuar uma intervenção com segurança, foi o grupo advertido que deveria desobstruir a via. Em função do incumprimento generalizado da advertência, foi necessário repor a ordem para desobstruir a via, recorrendo ao uso da força para fazer dispersar as pessoas".

Durante este processo, acrescenta a PSP, "uma mulher agrediu um polícia, razão pela qual foi manietada e detida".

"Em virtude de vários integrantes do grupo terem tentado impedir a detenção, do incumprimento reiterado das ordens que estavam a ser transmitidas e da hostilidade dessas pessoas para com os polícias, foi efectuado um disparo de advertência para o ar, em segurança, que permitiu cessar os comportamentos hostis e efectuar a detenção da agressora", pode ainda ler-se.

Da detenção resultaram ferimentos na mulher que, por essa razão, foi conduzida ao hospital e sido posteriormente libertada e notificada para comparecer no tribunal.

/ AM