Perceber quais as motivações que explicam um massacre como o desta quarta-feira na Alemanha não é tarefa fácil. No entanto, os casos sucedem-se um pouco por todo o mundo e Portugal não está imune a esta «moda».

Conheça o perfil do assassino de Winnenden

«Infelizmente, creio que não estamos muito longe de que isto aconteça em Portugal. Tenho receio que não demorará muito tempo. O que é moda lá fora, chega cá num instante», disse o psicólogo Carlos Poiares ao tvi24.pt.

Para o director da Faculdade de Psicologia da Universidade Lusófona, o «fenómeno» é explicado através de quatro causas: «Uma cultura cada vez mais violenta que é divulgada essencialmente através da Internet, um acesso às armas cada vez mais facilitado, aquela ideia quase de faroeste americano de que a arma é um prolongamento do próprio indivíduo e uma certa desresponsabilização da política educativa».

Padre surpreendido com massacre

«Jovens têm tudo através de um clique»

A «falta de medidas preventivas por parte do poder político» deve ser contrariada, no entender de Carlos Poiares, caso contrário o «sentimento de impunidade» pode gerar situações destas em Portugal.

«Os jovens estão habituados a ter resposta imediata aos seus desejos, têm tudo através de um clique. Isso gera uma maior insatisfação e não é por acaso que estes episódios acontecem mais em países mais avançados ao nível sócio-cultural», explicou.

A crise economico-financeira também ajuda a explicar estes incidentes, porque «pode gerar descompensações»: «A incapacidade de gerir a frustração pode ser potenciadora. E nem sempre estamos perante casos de psicopatologias. A angústia pode ser suficiente.»

O «efeito de imitação»

Segundo Carlos Poiares, a divulgação destes casos pelos vários meios de comunicação social «também influencia» os jovens. «Há casos em que estamos claramente perante um efeito de imitação, um querer fazer melhor do que os outros», afirmou.

O psicólogo teve em conta o massacre desta quarta-feira na Alemanha, onde considera que houve «premeditação» e «um verdadeiro crime», uma vez que o atirador «não se suicidou, que é mais recorrente nestes casos, ele quis fugir». «Talvez quisesse chamar a atenção dos pais e não pensasse que ia acabar ou morto ou preso», apontou. ---