O Monumental Celestino Graça, em Santarém, teve lotação esgotada no último sábado depois de uma corrida de touros. A única da época. A associação Praça Maior diz que o evento decorreu ao abrigo de um plano de contingência aprovado pela Unidade de Saúde Pública - que impunha um lugar de separação entre cada espetador, mesmo sendo da mesma família, e o uso obrigatório de máscara -, mas, mesmo assim, a enchente tem gerado polémica nas redes sociais.

As críticas são várias, mas existe um ponto em comum: a dualidade de critérios que tem sido aplicada para diferentes eventos e/ou atividades por parte da Direção-Geral da Saúde (DGS). Um dos principais exemplos é o futebol.

Eu acredito que talvez seja propositado para matar quem gosta de touradas e proteger os amantes de futebol", lê-se num dos comentários.

 

Toda a gente sabe que Covid-19 não se propaga em touradas, por isso é que aqui pode haver público e nos jogos de futebol não", diz outro internauta. 

 

Apesar de não ser a favor das touradas, não podia estar mais de acordo. Não por ser uma tourada, mas por ser um atentado à saúde pública e um completo desrespeito não só pelos profissionais de saúde, mas por toda a população". 

"Vergonha", "bandalheira", "ridículo", são algumas das palavras mais utilizadas para descrever o que aconteceu.

VEJA TAMBÉM:

Em declarações à TVI24, Diogo Palha, membro da associação Praça Maior, explicou que a lotação foi reduzida para 50%, o que significa que dos 11.500 lugares disponíveis, apenas 5.750 foram ocupados.

No entanto, apesar de as cadeiras estarem devidamente sinalizadas, sobre se os espectadores se podiam ou não sentar, Diogo admitiu que essa regra não foi cumprida.

Fossem pai e filha, marido e mulher, ou qualquer outro grau de parentesco, não era permitido a ninguém sentar-se lado a lado. Os aficionados tinham obrigatoriamente de se sentar com pelo menos uma cadeira de intervalo. Mas muitas famílias sentaram-se no "lugar não disponível" formado, assim, pequenos grupos. 

E isso é visível nas imagens. Foi a única regra que não foi cumprida por parte dos espectadores", esclareceu.

Diogo disse ainda que foram tomadas todas as medidas de segurança, como os dispensadores de álcool gel à entrada e a definição de corredores de circulação. 

A PSP foi obrigada a intervir no final de espetáculo, ao pedir às pessoas que se dispersassem, para que não fossem criados aglomerados em frente às portas.

O evento contou com a presença da Proteção Civil, da PSP e das Autoridades de Saúde. 

No site da associação Praça Maior está disponível a lista de regras impostas pela Inspeção-Geral das Atividades Culturais (IGAC), em conjunto com a DGS, para a realização de espetáculos.

Cláudia Évora