As infecções com o vírus da sida em Portugal tendem a aumentar entre a população homossexual e a diminuir entre os toxicodependentes e os heterossexuais, revelou esta sexta-feira o coordenador nacional para a doença.

«Há uma tendência para menos infecção entre utilizadores de drogas, uma tendência para aumentar a infecção entre homens que têm sexo com homens e alguma estabilização e até aparente diminuição da chamada transmissão entre sexos», disse à Agência Lusa o coordenador nacional para a Infecção VIH/sida, Henrique Barros.

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«Neste momento vive-se uma fase em que, aparentemente, estamos a ter uma diminuição da infecção, excepto no grupo dos homens que têm sexo com homens, onde se pode perceber alguma preocupação e algum aumento em Portugal, como também acontece a nível internacional», acrescentou.

O responsável, que falava à margem da Conferência VIH Portugal 2009 «Trabalhar em conjunto para o diagnóstico e cuidados precoces da infecção VIH», que decorre até sábado em Lisboa, adiantou que, em Portugal, «não se tem registado uma feminização da infecção».

«Outro dado importante é que, ao contrário do que acontece em outros países, em Portugal não se tem registado uma feminização da infecção, ou seja, não tem havido um aumento proporcional de casos em mulheres, o que quer dizer que a infecção ainda continua concentrada nas população mais vulneráveis, como os homossexuais e nas pessoas que utilizam drogas», referiu Henrique Barros.

Vigilância epidemiológica

O coordenador nacional para a doença salientou a importância da realização de «diagnósticos e cuidados de saúde precoces da infecção por VIH» e a necessidade de «melhorar o sistema da vigilância epidemiológica em Portugal», adiantando que, num futuro próximo, serão realizados «quatro estudos muito importantes» nesse sentido.

«O primeiro tem a ver com o acompanhamento de um conjunto de pessoas que voluntariamente aceitaram ser seguidas ao longo de um tempo, designadamente pessoas que utilizam drogas e pessoas que vivem com a infecção VIH I e II», revelou.

«Outro estudo vai avaliar a qualidade dos sistemas de avaliação existentes» no País, acrescentou Henrique Barros.

Quanto à realização de testes de diagnóstico precoce, o especialista sublinhou que tem havido «um esforço grande de realização de testes», sendo que nos «últimos dois anos o número de testes realizados nos centros de atendimento e diagnóstico anónimos mais do que duplicou».
Redação / PP