Há cerca de 140 trabalhadores da Carris de baixa médica prolongada. E segundo a Associação Sindical do Pessoal de Tráfego da Carris, metade dos casos devem-se a agressões físicas e verbais a que são constantemente sujeitos.

Estavam ao dia de hoje em casa, com baixa prolongada, 140 trabalhadores só do pessoal de tráfego. Seguramente que 50% são baixas psicológicas”, assume, falando à Agência Lusa, o sindicalista Orlando Lopes.

Segundo o sindicalista e motorista, “todos os dias há agressões verbais” e “pelo menos uma vez por semana há agressões físicas”, tanto a motoristas como a fiscais.

Há muita pressão a nível interno e externo e leva a um ponto em que as pessoas não conseguem trabalhar. Há pessoas a chorar, já não aguentam”, disse.

50 carreiras ficam por fazer todos os dias

O sindicalista Orlando Lopes assume que a Carris fica, em média, com 50 serviços por fazer todos os dias. Porque faltam motoristas, o que leva os utentes que “descarregam a fúria” no motorista.

Espera-se e espera-se e o carro não aparece. Nós percebemos”, afirmou, acrescentando que a “boa vontade” dos trabalhadores em fazer trabalho extraordinário impede um cenário “ainda pior”.

Orlando Lopes referiu que foi pedida uma reunião ao secretário de Estado do Ambiente, José Mendes, e ao presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, para debater estas questões.

"200 pessoas sem títulos de transporte”

O fiscal da Carris Vítor Pereira, que também falou à Lusa em representação da associação sindical, frisou que estão em causa agressões verbais e físicas feitas por “pessoas que desesperam à espera do transporte, e agridem verbalmente o motorista, e por pessoas que não pagam título de transporte e não aceitam muito bem que lhes seja passada uma multa”.

Todos os dias há milhares de viagens que são feitas sem serem pagas”, afirmou, defendendo que a “empresa tem de apostar mais no combate à fraude porque é muito dinheiro que não entra e é injusto para quem paga o seu passe”.

Vitor Pereira disse ainda que, quando são destacados para irem em algumas carreiras que fazem determinadas zonas, os fiscais têm de ir acompanhados por polícias.

De madrugada, em cinco horas de fiscalização efetiva, já chegámos a apanhar 200 pessoas sem títulos de transporte”, acrescentou.

A agência noticiosa Lusa contactou a rodoviária para obter mais esclarecimentos, mas até hoje à tarde não foi possível uma resposta. Interpelou também a PSP para saber quantas queixas foram apresentadas desde janeiro, mas a polícia disse que "não é possível efetuar uma extração estatística que permita obter os registos das agressões contra funcionários da Carris".

Redação